O crime organizado movimentou cerca de US$ 12 bilhões em criptomoedas apenas em 2025, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). O valor representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior, acendendo alertas sobre o uso de ativos digitais para lavagem de dinheiro e financiamento ilícito.
Relatório do GAFI destaca crescimento de transações ilegais
O documento, intitulado “Riscos de Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo em Criptomoedas”, aponta que as transações ilícitas envolvendo moedas virtuais atingiram níveis recordes. De acordo com o GAFI, as principais modalidades criminosas incluem tráfico de drogas, fraudes financeiras e evasão de divisas. “As criptomoedas oferecem anonimato e rapidez, características exploradas por organizações criminosas para mover grandes somas sem detecção imediata”, afirmou o diretor-executivo do GAFI, Marcos Oliveira, em coletiva de imprensa.
Principais rotas e métodos utilizados
O relatório detalha que cerca de 40% das transações ilegais ocorreram em exchanges não regulamentadas, especialmente na Ásia e no Leste Europeu. Além disso, o uso de carteiras privadas e misturadores de criptomoedas (tumblers) dificulta o rastreamento. “A falta de supervisão em jurisdições com regulação fraca cria brechas para o crime organizado”, destacou Oliveira. O GAFI recomenda que os países adotem medidas mais rigorosas, como a implementação da “Regra de Viagem” (Travel Rule), que exige a identificação de remetentes e destinatários em transações acima de US$ 1.000.
Impacto no sistema financeiro global
Especialistas alertam que o volume movimentado pelo crime organizado pode desestabilizar mercados emergentes e prejudicar a adoção legítima de criptomoedas. “Enquanto a regulação não for uniforme, os criminosos continuarão a explorar lacunas”, afirmou a analista de riscos financeiros Carla Mendes, do Instituto de Finanças Digitais. O Brasil, que figura entre os 20 países com maior volume de transações suspeitas, já discute novas regras para o setor.
Medidas e recomendações do GAFI
O GAFI sugere que os governos invistam em tecnologia de análise de blockchain e cooperação internacional. Atualmente, apenas 58 dos 200 países membros implementaram plenamente as recomendações do grupo. “Precisamos de uma resposta coordenada para evitar que as criptomoedas se tornem o novo paraíso financeiro do crime”, concluiu Oliveira. O relatório completo será apresentado na próxima reunião do GAFI, em outubro.



