O bitcoin opera em alta de 2% nesta terça-feira (4), cotado a US$ 68.500, impulsionado pela melhora do apetite por risco nos mercados globais. A valorização ocorre em meio a expectativas de que os bancos centrais possam adotar posturas mais flexíveis, o que tem atraído investidores para ativos de maior risco, como as criptomoedas.
Ether e solana acompanham o movimento
O ether, segunda maior criptomoeda, sobe 1,8% e é negociado a US$ 3.250. Já a solana avança 2,5%, cotada a US$ 145. O movimento generalizado reflete a correlação positiva entre as principais criptomoedas e o sentimento do mercado financeiro.
Segundo analistas, a alta é sustentada por dados econômicos recentes que indicam desaceleração da inflação, aumentando a probabilidade de cortes de juros. "O mercado está precificando um cenário mais favorável para ativos de risco, e as criptomoedas estão se beneficiando diretamente", afirma Carlos Eduardo, analista da corretora BlueBit.
Contexto macroeconômico favorece criptoativos
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, divulgado na semana passada, veio abaixo do esperado, reforçando a tese de que o Federal Reserve pode iniciar um ciclo de flexibilização monetária já em setembro. Esse cenário tende a enfraquecer o dólar e impulsionar investimentos em ativos alternativos.
Além disso, o fluxo de entrada em fundos de criptomoedas tem aumentado. Dados da CoinShares mostram que, na última semana, os produtos de investimento em criptoativos registraram entradas líquidas de US$ 1,2 bilhão, o maior volume em dois meses. Desses, US$ 1 bilhão foi direcionado especificamente para fundos de bitcoin.
Perspectivas para o mercado de criptomoedas
Especialistas projetam que, se o movimento de alta se mantiver, o bitcoin pode testar o patamar de US$ 70.000 nas próximas sessões. "O suporte em US$ 65.000 se mostrou sólido, e a tendência de curto prazo é de alta, com resistência imediata em US$ 69.000", destaca Maria Fernanda, trader da plataforma TradeCripto.
No entanto, alertam para a volatilidade característica do setor. "É importante que os investidores mantenham cautela e gerenciem riscos, pois o mercado pode sofrer reversões bruscas a qualquer momento", pondera Carlos Eduardo.
Impacto no mercado mais amplo
A alta das criptomoedas também influencia ações de empresas ligadas ao setor. As ações da Coinbase e da Marathon Digital subiram mais de 3% no pré-mercado em Nova York. No Brasil, os ETFs de criptomoedas negociados na B3 acompanham o movimento, com ganhos de cerca de 2%.
O apetite por risco também se reflete em outros ativos, como o ouro, que opera em leve alta, e as bolsas asiáticas, que fecharam majoritariamente em terreno positivo. O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico subiu 0,8%.
Com o cenário favorável, os investidores monitoram os próximos indicadores econômicos, como o relatório de empregos dos EUA, que será divulgado na sexta-feira, para confirmar a tendência de queda da inflação e a possibilidade de cortes de juros.



