O Bitcoin atingiu a marca de US$ 64.000 nesta quarta-feira, impulsionado pela divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas do mercado. O indicador, considerado o preferido do Federal Reserve para medir a inflação, subiu 2,1% em maio na comparação anual, contra a previsão de 2,5%. O resultado renovou as apostas de que o banco central americano pode iniciar um ciclo de cortes de juros ainda neste semestre.
Reação do mercado de criptomoedas
O movimento de alta do Bitcoin não foi isolado. Outras criptomoedas de grande capitalização, como Ethereum e Solana, também registraram ganhos expressivos. O Ethereum avançou 4,3%, para US$ 3.450, enquanto a Solana subiu 6,8%, para US$ 145. O mercado de criptoativos como um todo adicionou cerca de US$ 50 bilhões em valor de mercado nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinGecko.
De acordo com analistas consultados pelo Valor, a reação positiva reflete a percepção de que o Fed pode flexibilizar a política monetária mais cedo do que o previsto. “O PCE mais fraco é um sinal de que a inflação está sob controle, abrindo caminho para cortes de juros. Isso tende a beneficiar ativos de risco, como o Bitcoin”, afirmou João Pedro, analista da exchange Mercado Bitcoin.
Contexto macroeconômico e perspectivas
O índice PCE core, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 2,6% no mesmo período, também aquém das projeções de 2,8%. Os dados reforçam a tendência de desaceleração inflacionária nos EUA, após meses de leituras acima do alvo de 2% do Fed. O mercado de futuros agora precifica uma probabilidade de 68% de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Para o Bitcoin, a expectativa de juros mais baixos tende a reduzir o custo de oportunidade de deter ativos não rentáveis e a enfraquecer o dólar, dois fatores que historicamente impulsionam a criptomoeda. No entanto, especialistas alertam que o cenário ainda é incerto, com riscos fiscais e geopolíticos no horizonte.
Impacto no mercado financeiro tradicional
O índice PCE mais fraco também impulsionou as bolsas americanas. O S&P 500 subiu 1,2% e o Nasdaq avançou 1,5%, liderado por ações de tecnologia. O dólar caiu 0,8% ante uma cesta de moedas, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos recuaram para 4,18%.
A valorização do Bitcoin ocorre após um período de relativa estabilidade, com a criptomoeda oscilando na faixa dos US$ 60 mil a US$ 62 mil nas últimas semanas. O novo patamar de US$ 64 mil representa uma alta de 7% no mês e de 95% nos últimos 12 meses.
De acordo com relatório do banco JPMorgan, o fluxo de capital para criptomoedas tem se mantido robusto, com entradas líquidas de US$ 1,2 bilhão em fundos de Bitcoin à vista nos últimos 30 dias. “O mercado está precificando um ambiente mais favorável para ativos digitais, com a perspectiva de cortes de juros e a aprovação de ETFs de Ethereum”, destacou o banco em nota.
Próximos passos e cautela
Apesar do otimismo, alguns analistas recomendam cautela. O Bitcoin ainda enfrenta resistência técnica na região de US$ 65 mil, e uma eventual realização de lucros não está descartada. Além disso, o mercado monitora de perto os dados de emprego dos EUA (payroll) na sexta-feira, que podem influenciar as expectativas para a política monetária.
“O PCE mais fraco é positivo, mas o Fed ainda depende de mais dados para confirmar a trajetória de queda da inflação. O payroll e o CPI das próximas semanas serão cruciais”, avaliou Maria Fernanda, economista-chefe da gestora de ativos digitais Hashdex.



