Presidentes de partidos recebem até R$ 630 mil por ano com Fundo Partidário
Presidentes de partidos recebem até R$ 630 mil/ano

Os presidentes nacionais de partidos políticos brasileiros receberam até R$ 630,5 mil por ano em 2025, conforme levantamento do g1 baseado nas prestações de contas enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor equivale a R$ 52,5 mil mensais. O estudo analisou os 30 partidos registrados e identificou pagamentos a dez dirigentes, totalizando R$ 2,95 milhões. Desse total, 96% (R$ 2,83 milhões) vieram do Fundo Partidário, composto majoritariamente por recursos públicos do Orçamento da União, além de multas eleitorais e doações.

Maiores remunerações e origem dos recursos

O presidente do PRD, Ovasco Roma Altimari Resende, recebeu o maior valor: R$ 630,5 mil, integralmente pagos com o Fundo Partidário. Em segundo lugar, José Luiz Penna, do PV, recebeu R$ 501,4 mil, também totalmente custeados pelo fundo. Valdemar Costa Neto (PL) obteve R$ 404,7 mil por serviços técnico-profissionais, enquanto Eduardo Ribeiro (Novo) recebeu R$ 337 mil em salários. Renata Abreu (Podemos) recebeu R$ 322,1 mil, Carlos Lupi (PDT) R$ 270 mil, Edinho Silva (PT) R$ 201 mil, Paula Coradi (PSOL) R$ 146,8 mil, Paulo Lamac (Rede) R$ 95,5 mil e Leonardo Péricles (UP) R$ 39,3 mil.

Os pagamentos se concentram em duas rubricas: "Pessoal" (R$ 1,54 milhão, 52,3% do total) e "Serviços técnico-profissionais" (R$ 1,41 milhão, 47,7%). A maioria dos dirigentes recebeu exclusivamente do Fundo Partidário, exceto Leonardo Péricles (UP), cujos R$ 39,3 mil vieram de "outros recursos" (sobras de campanhas, aluguéis, doações).

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Base legal e limites

Michel Bertoni, advogado especialista em Direito Eleitoral, explica que não há teto específico na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995) para pagamento de dirigentes. "Tem partido que defende a aplicação do teto constitucional do funcionalismo público (R$ 46.366,19/mês), mas isso não é automático", afirmou. Denise Schlickmann, da Abradep, acrescenta que a lei limita as despesas com pessoal das direções nacionais a 50% dos recursos do Fundo Partidário. "Se o dirigente presta serviço, pode ser remunerado como autônomo", disse.

Detalhes dos pagamentos

Ovasco Resende (PRD) recebeu R$ 288,8 mil como salário e R$ 341,8 mil como serviços técnico-profissionais. Ele afirmou ao g1 que atua há 23 anos na direção partidária e responde por 3,6 mil processos. "Eu abdiquei da minha posição para cuidar do partido. É um pró-labore para me manter", declarou. O PRD surgiu da fusão PTB-Patriota em 2023 e tem três deputados federais.

José Luiz Penna (PV) recebeu 16 pagamentos entre R$ 10 mil e R$ 47,8 mil mensais. O PV informou que os valores são submetidos à Executiva Nacional. Valdemar Costa Neto (PL) recebeu R$ 404,7 mil como serviços técnicos. O PL não comentou. Eduardo Ribeiro (Novo) recebeu R$ 337 mil em salários; o partido afirmou que a remuneração foi aprovada pela Convenção Nacional e visa profissionalizar a gestão.

Renata Abreu (Podemos) recebeu R$ 322,1 mil; o partido não respondeu. Carlos Lupi (PDT) recebeu R$ 270 mil entre maio e dezembro; o PDT disse que a remuneração segue o estatuto. Edinho Silva (PT) recebeu R$ 201 mil, além de R$ 38,4 mil em reembolsos (aluguel, condomínio, alimentação). O PT afirmou que os pagamentos seguem as normas eleitorais.

Paula Coradi (PSOL) recebeu R$ 146,8 mil como autônoma; o partido explicou que não há classificação específica no sistema do TSE. Paulo Lamac (Rede) recebeu R$ 95,5 mil; a Rede manteve critérios da gestão anterior. Leonardo Péricles (UP) recebeu R$ 39,3 mil de doações de filiados; a UP destacou o apoio popular.

Casos não incluídos no ranking

O levantamento excluiu reembolsos (como R$ 725 em combustíveis para Luis Henrique Resende, do Avante) e pagamentos a pessoas jurídicas (como R$ 249,2 mil ao escritório de Daniel Tourinho, do Agir). O Avante não respondeu; o Agir afirmou que os valores são exclusivamente para serviços advocatícios com recursos privados.

Para 18 dos 30 presidentes, não foram encontrados pagamentos diretos, mas despesas podem ter sido registradas em nome de empresas ou fornecedores vinculados.

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