O Morgan Stanley afirmou que as ações brasileiras podem experimentar um alívio de curto prazo após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros inalteradas, mas alertou que o mercado ainda permanece em um "limbo" devido às incertezas fiscais e políticas domésticas.
Fed mantém juros e sinaliza cautela
Na quarta-feira, o Fed decidiu manter a taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, conforme amplamente esperado. A decisão foi acompanhada de comentários cautelosos sobre a inflação, que ainda não mostra sinais consistentes de convergência para a meta de 2%. Segundo analistas do Morgan Stanley, o ambiente externo mais favorável, com a perspectiva de que o Fed possa iniciar cortes de juros ainda neste ano, deve beneficiar ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil.
"A decisão do Fed alivia parte da pressão sobre as moedas e os juros locais, o que pode dar um fôlego temporário para a Bolsa brasileira", destacou o relatório do banco, obtido pela InfoMoney. No entanto, os estrategistas ressaltam que o alívio pode ser limitado se não houver avanços na agenda fiscal brasileira.
'Limbo' fiscal e político
O termo "limbo" utilizado pelo Morgan Stanley refere-se à incerteza prolongada em relação às contas públicas e ao cenário político doméstico. Apesar de o governo ter sinalizado compromisso com o arcabouço fiscal, o mercado ainda aguarda medidas concretas de contenção de gastos e aprovação de reformas estruturais. "Enquanto não houver clareza sobre o rumo fiscal, o mercado continuará sem uma direção definida", alertam os analistas.
Além disso, as eleições de 2026 já começam a influenciar as expectativas. Pesquisas recentes mostram cenários competitivos em diversos estados, o que pode aumentar a volatilidade política. O banco recomenda cautela com exposição a ativos brasileiros até que haja maior previsibilidade.
IGP-M aprofunda queda em julho
Paralelamente, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) aprofundou a queda em julho, puxado principalmente pela desaceleração dos preços no atacado. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice recuou 0,2% no mês, ampliando a deflação acumulada no ano. O resultado reforça a percepção de que a inflação brasileira está sob controle, mas também reflete a fragilidade da atividade econômica.
PIB dos EUA abaixo do esperado
Nos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta anualizada de 1,5% no primeiro trimestre de 2026, abaixo das projeções de 1,8% do mercado. O dado, divulgado pelo Departamento de Comércio, reforça a tese de desaceleração da maior economia do mundo e aumenta as apostas em cortes de juros pelo Fed ainda este ano. Para o Morgan Stanley, esse cenário é positivo para o Brasil, mas não suficiente para tirar o mercado do "limbo".
Recomendações de investimento
Diante desse quadro, o banco recomenda que investidores mantenham uma postura defensiva, com foco em ações de empresas com fundamentals sólidos e exposição ao mercado interno. Setores como utilities, saneamento e infraestrutura são vistos como menos vulneráveis ao ciclo de aperto monetário. Já ações mais cíclicas, como siderurgia e mineração, devem ser evitadas até que haja sinais mais claros de recuperação.
Em resumo, o Morgan Stanley vê um alívio de curto prazo impulsionado pelo Fed, mas o "limbo" persiste enquanto as incertezas fiscais e políticas não forem resolvidas. O mercado brasileiro continuará dependente de sinais concretos de ajuste fiscal para sustentar uma alta mais consistente.



