Ibovespa sobe com NY e expectativa por balanço da Vale
Ibovespa sobe com NY e expectativa por balanço da Vale

O Ibovespa opera em alta no penúltimo dia de julho, impulsionado pelo desempenho positivo das bolsas de Nova York e pela expectativa em torno do balanço da Vale (VALE3). O recuo dos juros futuros também contribui para o avanço do principal indicador da B3 nesta quinta-feira, 30. Investidores digerem a deflação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos em junho, que veio dentro do esperado. Por outro lado, a queda do minério de ferro e do petróleo limitam os ganhos do Ibovespa.

Dados econômicos dos EUA no radar

Além do PCE, a inflação preferida do Federal Reserve (Fed), o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano está no centro das atenções e ajuda a calibrar as apostas para os juros do país, especialmente após a decisão de política monetária na véspera, que deixou incertezas no mercado. O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expectativa de 2,1% dos economistas ouvidos pela Reuters.

Conforme William Castro Alves, sócio e estrategista-chefe da Avenue, apesar do discurso conservador do presidente do Fed, Kevin Warsh, na quarta-feira, 29, a decisão de manter as taxas entre 3,50% e 3,75% não foi tão dura. “O discurso do Warsh em suas aparições tem ajudado nas expectativas e na curva de juros, que tem feito o trabalho da política monetária. Apesar da divisão no comitê, cada vez mais tem dirigente defendendo aumento de juros nos EUA. Essa deve ser a tônica”, diz. A despeito da percepção de alta dos juros nos EUA em 2026, a ideia de que haverá menos aumentos do que o esperado ameniza o cenário. “A Bolsa acaba refletindo uma melhora de percepção de que juros não subiram tanto. A questão é saber até onde vão”, afirma Castro Alves.

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Impacto dos juros e fluxo estrangeiro

Para Bruna Centeno, economista e sócia-advisor da Blue3 Investimentos, apesar do mau humor da véspera após a decisão do Fed, o dólar em queda nesta quinta indica tecnicamente entrada de fluxo para o Ibovespa. “Temos de acompanhar os próximos indicadores, hoje tem balanço da Amazon e Apple. Permanecem preocupações com a matriz energética e com a inflação”, afirma. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, juros elevados por mais tempo nos EUA tendem a manter os rendimentos dos títulos de dívida norte-americana em patamar muito alto. “Automaticamente faz com que o dólar seja favorecido globalmente, reduz também o apetite por ativos de maior risco, como no caso dos países emergentes, que é o caso do Brasil”, diz.

Indicadores domésticos e expectativa para o Copom

Apesar da queda da taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em junho, para 5,4% (de 5,6%), em linha com o previsto, e em meio a dados conflitantes do Caged, o mercado prevalece a expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira. Há sinais de desaquecimento da atividade e alívio na inflação. Nos EUA, o PCE caiu 0,1% em junho ante maio. Na comparação anual, avançou 3,7%. Os balanços da Apple e Amazon, após o fechamento dos mercados nos EUA, também ficam no foco. No Brasil, as atenções se voltam para os números da Vale, que saem após o fim do expediente na B3. Já foram divulgados balanços de Usiminas e Ambev, entre outros.

Desempenho do Ibovespa e setores

Na quarta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 1,52%, aos 173.885,34 pontos, recuando 0,09% na semana. Por volta das 11h40 desta quinta, subia 0,82%, aos 175.313,75 pontos, ante alta de 0,88% na máxima em 175.410,06 pontos, abertura em 173.890,50 pontos e mínima em 173.884,55 pontos, estável. O índice passava a avançar 0,70% na semana e subia 1,88% em julho, após quatro meses de queda. Entre as ações, Vale (VALE3) subia 0,21%, apesar do recuo do minério; Petrobras (PETR4) tinha alta de 0,19%. Já entre os bancos, Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) cediam.

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