Em abril, a Geração Z respondeu por 48% dos contratados no regime CLT em Minas Gerais, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número reflete a crescente inserção dos jovens no mercado formal, mas contrasta com os desafios financeiros que essa faixa etária enfrenta, especialmente quando o assunto é morar sozinho.
Pesquisa revela realidade financeira da Geração Z
Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, que entrevistou 6.063 pessoas em todo o Brasil, apontou que 62,6% dos integrantes da Geração Z que vivem sozinhos ainda moram de aluguel. Entre a Geração X e os Baby Boomers, esse percentual cai para 29,1%. A diferença evidencia o impacto do mercado imobiliário e da renda sobre os mais jovens.
O levantamento também mostrou diferenças nos hábitos de consumo e mobilidade. Enquanto 38% dos entrevistados nascidos entre 1946 e 1980 utilizam o carro como principal meio de transporte, a Geração Z prefere o transporte público (26%) e as motocicletas (23%).
Custo de vida elevado afeta todas as gerações
Independentemente da idade, a percepção de aumento no custo de vida é generalizada. Entre quem mora sozinho, 71,4% da Geração X e dos Baby Boomers afirmaram sentir alta nas despesas nos últimos 12 meses. Na Geração Y, o índice é de 64,9%, enquanto na Geração Z chega a 55,2%.
"A sensação de que viver ficou mais caro é semelhante entre todas as gerações, indicando que a inflação dos gastos essenciais impacta praticamente todos que vivem sozinhos, independentemente da idade", comenta Aline Vieira, especialista em educação financeira na Serasa.
Morar sozinho ou com familiares: pressão financeira parecida
Morar sozinho traz mais autonomia, mas administrar as contas continua difícil. Entre os que vivem sozinhos, 25% consideram difícil organizar as despesas e 20% classificam como muito difícil. O cenário é semelhante entre quem mora com cônjuge, pais ou filhos: 25% relatam dificuldade e 20% dizem enfrentar muita dificuldade para manter as contas em dia.
A inflação dos gastos essenciais afeta ambos os grupos de forma similar. O supermercado foi apontado por 80% dos entrevistados como a despesa que mais pesou no orçamento no último ano, seguido pelas contas recorrentes da casa (água, luz e internet), mencionadas por 51%.
Habitação é o principal diferencial
A principal diferença está nos custos com moradia. Entre quem vive sozinho, 34% apontam aluguel, financiamento ou condomínio entre os gastos que mais aumentaram, ante 27% dos que moram com familiares. Essa pressão influencia a organização do orçamento: para quem mora sozinho, as prioridades financeiras são pagar contas recorrentes (75%), fazer compras de supermercado (74%) e arcar com despesas de moradia (53%). Entre quem vive com a família, a ordem de prioridades é semelhante, reforçando o peso das despesas essenciais no dia a dia dos brasileiros.



