Ibovespa e real sobem com sinais do Fed e dados dos EUA
Ibovespa e real sobem com sinais do Fed

O Ibovespa e o real registraram ganhos expressivos nesta quinta-feira, 30 de julho, impulsionados pela precificação de um ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) e por dados econômicos robustos divulgados nos Estados Unidos. O mercado brasileiro acompanhou o movimento global de apetite por risco, com investidores ajustando suas posições diante de sinais de que a política monetária americana pode se tornar mais accommodativa.

Sinais do Fed impulsionam mercados emergentes

A ata da última reunião do Fed, divulgada na quarta-feira, reforçou a expectativa de que o banco central americano pode iniciar cortes na taxa de juros já em setembro. O documento mostrou que vários membros do comitê viram uma 'crescente incerteza' sobre as perspectivas econômicas, abrindo espaço para afrouxamento monetário. A taxa de juros futura implícita nos contratos de swap caiu, e o dólar enfraqueceu ante moedas emergentes, beneficiando ativos brasileiros.

“O Fed está sinalizando claramente que está pronto para agir se os dados continuarem a mostrar desaceleração. Isso é positivo para o Brasil, pois reduz a pressão sobre o real e atrai fluxos para a bolsa”, afirmou Ricardo Santos, economista-chefe da Gestão Capital, em nota a clientes.

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Dados dos EUA reforçam cenário otimista

Os números do mercado de trabalho americano vieram acima do esperado, com a criação de 230 mil empregos em julho, contra previsão de 190 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 3,7%, perto das mínimas históricas. Além disso, o índice de gerentes de compras (PMI) industrial subiu para 52,5 pontos, indicando expansão do setor. Esses indicadores, combinados com a perspectiva de juros mais baixos, elevaram o apetite por risco em todo o mundo.

O Ibovespa fechou em alta de 1,8%, aos 128.500 pontos, maior nível desde junho. O volume financeiro negociado foi de R$ 25 bilhões, bem acima da média diária recente. O real se valorizou 0,9% frente ao dólar, cotado a R$ 5,12, menor patamar em duas semanas.

Impacto nos setores da bolsa

Entre os destaques da sessão, as ações de empresas ligadas ao consumo e à tecnologia lideraram os ganhos. As ações da Magazine Luiza (MGLU3) dispararam 5,2%, enquanto as da Lojas Renner (LREN3) subiram 4,7%. Os papéis do setor siderúrgico também tiveram desempenho positivo, com a Vale (VALE3) avançando 2,3% em meio à alta do minério de ferro.

No mercado de câmbio, o real se beneficiou do enfraquecimento global do dólar e da entrada de capitais estrangeiros na B3. Dados da B3 mostraram que os investidores não residentes compraram R$ 1,5 bilhão em ações no dia, o maior fluxo diário em três semanas.

Perspectivas para os próximos meses

Segundo analistas do Credit Suisse, a combinação de juros altos no Brasil (a Selic está em 10,5%) e expectativa de cortes nos EUA torna o país atraente para o carry trade. “O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua elevado, o que deve manter o real valorizado e a bolsa suportada”, afirmou o relatório.

No entanto, alertam que o cenário fiscal doméstico ainda traz riscos. A aprovação da reforma tributária e o controle de gastos são pontos de atenção. “Se o governo não mostrar responsabilidade fiscal, o otimismo pode se dissipar rapidamente”, ponderou Santos.

O mercado agora aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana, que deve manter a Selic estável, mas com viés de alta devido à inflação ainda pressionada. Apesar disso, o movimento global de queda dos juros americanos deve continuar a beneficiar ativos brasileiros no curto prazo.

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