O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira (4) um lucro líquido recorrente de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre de 2026, um avanço de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou as projeções do mercado, que esperavam um lucro em torno de R$ 12 bilhões, segundo pesquisa da Bloomberg.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ficou em 22,3%, acima dos 21,9% do trimestre anterior. A receita total da instituição somou R$ 45,2 bilhões, um crescimento de 6,5% na comparação anual, impulsionada pela expansão da carteira de crédito e pelo aumento da receita de serviços.
Destaques do balanço
A carteira de crédito expandida do banco atingiu R$ 1,2 trilhão, com alta de 9,2% em 12 meses. O segmento de pessoas físicas cresceu 10,1%, enquanto o de micro, pequenas e médias empresas avançou 8,4%. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,8%, estável na comparação trimestral.
O Índice de Eficiência (despesas sobre receitas) melhorou para 40,1%, ante 41,3% no segundo trimestre de 2025. As despesas operacionais aumentaram 4,2%, abaixo da inflação do período, refletindo os ganhos de produtividade e a digitalização dos processos.
Provisões e capital
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 8,1 bilhões, um acréscimo de 3,5% em relação ao ano anterior. O índice de Basileia ficou em 15,2%, confortavelmente acima do exigido pelo Banco Central, que é de 11%.
O banco também informou que o seu capital principal (Common Equity Tier 1) atingiu 12,8%, mantendo a trajetória de solidez. A geração de valor para o acionista, medida pelo lucro por ação (LPA), foi de R$ 2,15, ante R$ 1,99 no mesmo trimestre de 2025.
Perspectivas e guidance
Com o resultado, o Itaú revisou para cima a projeção de crescimento da carteira de crédito para 2026, de 8% para 9%. A expectativa para a margem financeira administrativa foi mantida, e o banco espera que o ROE permaneça acima de 20% até o final do ano.
Segundo o diretor financeiro do Itaú, Alexsandro Broedel, "os resultados refletem a consistência da estratégia do banco, com crescimento equilibrado, gestão de riscos eficiente e disciplina de custos. Continuamos confiantes na capacidade de gerar valor para nossos clientes e acionistas de forma sustentável".
O lucro líquido contábil (incluindo eventos extraordinários) foi de R$ 12,1 bilhões, impactado por despesas não recorrentes relacionadas à reestruturação de algumas áreas. A instituição mantém a política de distribuição de dividendos, com payout de 25% sobre o lucro recorrente.
Análise dos analistas
Analistas do setor avaliam que o resultado do Itaú é robusto, especialmente em um cenário de juros elevados e maior competição no setor. "O banco conseguiu crescer a carteira com rentabilidade, controlando a inadimplência. Isso mostra a força da franquia", comentou Carlos Daltozo, analista da Eleven Financial.
As ações do Itaú (ITUB4) fecharam em alta de 1,8% no pregão desta terça-feira, cotadas a R$ 34,50, reagindo positivamente ao anúncio. No acumulado do ano, os papéis valorizam 12,4%, superando o Ibovespa, que subiu 6,2% no mesmo período.
O resultado vem em linha com a tendência dos grandes bancos brasileiros, que têm apresentado lucros crescentes, impulsionados pela expansão do crédito e pela melhora na eficiência operacional. O Itaú, maior banco privado do país, mantém sua liderança em rentabilidade, com ROE acima da média dos pares.



