Ibovespa cai com cautela política e diplomática; Vale sobe
Ibovespa cai com cautela política e diplomática; Vale sobe

O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira com uma leve desvalorização de 0,06%, aos 177.894,97 pontos, depois de renovar mínimas no período da tarde. O índice, que chegou a subir 1,51% pela manhã, atingindo a máxima de 180.679,47 pontos, foi pressionado por um cenário doméstico adverso, marcado por incertezas eleitorais, tensões diplomáticas com os Estados Unidos, a temporada de balanços e a expectativa pela decisão de política monetária do Banco Central na quarta-feira.

Queda da Petrobras e cenário externo pesam sobre o índice

A Petrobras (PETR3, PETR4) recuou cerca de 1%, em linha com a forte queda do petróleo no mercado internacional, que superou 5%, com o barril negociado abaixo de US$ 80. A desvalorização da commodity reflete a expectativa de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, o que reduziria os riscos de interrupção no fornecimento global. A Vale (VALE3), por outro lado, avançou 2,24%, recuperando-se da baixa da véspera e servindo como contraponto positivo, acompanhando o desempenho das mineradoras no exterior.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco (ITUB4) liderou as perdas, caindo 2,48%, em meio à expectativa pelo balanço do segundo trimestre, que será divulgado após o fechamento do mercado. O Bradesco (BBDC4) recuou 1,7%, o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,32%, enquanto a unit do Santander Brasil (SANB11) subiu 0,59%.

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Preocupações políticas e diplomáticas aumentam cautela

No campo político, os investidores monitoram a falta de um vice na chapa do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, além dos temores de que os Estados Unidos adotassem novas sanções diplomáticas contra o Brasil. Esses receios se confirmaram ao longo do dia, com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após o Brasil não conceder aprovação diplomática formal ao embaixador indicado pelo governo Trump para Brasília e negar vistos a diplomatas norte-americanos.

Uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA, sob condição de anonimato, afirmou que o visto da diplomata brasileira será restabelecido se a situação for resolvida. A medida foi atribuída ao atraso do Brasil em autorizar o novo embaixador dos EUA. Esse cenário acentuou a queda dos bancos, após reportagem da Exame indicar que o governo Lula aguardava a revogação de vistos e possíveis sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da Lei Magnitsky.

Produção industrial fraca e expectativa pela Selic

No âmbito econômico, a produção industrial de junho veio abaixo do esperado, com queda de 1,8%, ante mediana de 0,6%. Apesar disso, a ampla maioria do mercado projeta uma pausa no ciclo de flexibilização após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira, quando os juros básicos devem ser reduzidos em 0,25 ponto percentual, para 14%, conforme pesquisa Projeções Broadcast da última quinta-feira.

“O mercado continua acompanhando um cenário misto. De um lado, a queda da produção industrial em junho reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica, que pode abrir espaço para um ciclo de redução dos juros à frente, e os sinais de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz ajudam a reduzir parte da aversão a risco internacional. Por outro lado, os investidores permanecem atentos às questões políticas e diplomáticas”, resume o especialista Pedro Henrique Cardoso, da Valor Investimentos.

Felipe Sant’Anna, do Grupo Axia Investing, acrescenta que “matematicamente, olhando o IPCA de junho, o IPCA-15 de julho e a produção industrial de junho, há espaço para a Selic continuar caindo, mas, ao considerar a eleição e o cenário adverso lá fora, com EUA, Europa e Japão focando em alta de juros, a realidade é que o ambiente não é tão favorável para mais cortes na Selic”.

Perspectivas técnicas e destaques do dia

Analistas do Itaú BBA apontam que o Ibovespa segue sem direção definida, com primeira resistência em 179.500 pontos e suportes em 172.200 e 167.600 pontos. “Seguiremos para os próximos dias com um Ibovespa estável e à espera do próximo grande movimento de 2026”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.

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Entre os destaques positivos, a CSN (CSNA3) subiu 6,21%, após cinco quedas seguidas, acumulando perda de 21% no período. Investidores acompanham as negociações para a venda da unidade de cimentos, com fontes da Reuters indicando uma segunda rodada de propostas para fechar negócio até o fim do ano. A BB Seguridade (BBSE3) valorizou-se 1,72%, após balanço com lucro líquido ajustado de R$ 2,15 bilhões, queda de 3,9% na comparação anual.

No lado negativo, a Marcopolo (POMO4) caiu 10,43%, após lucro líquido de R$ 271 milhões, queda de 15,5% anual, com margem Ebitda encolhendo de 17,3% para 14,3%. Analistas do Citi classificaram o resultado como fraco, citando mix de entregas desfavorável no Brasil. A Bradesaúde (SAUD3) perdeu 11,56%, mesmo com alta de 25% no lucro, devido à piora da sinistralidade. Já a Pague Menos (PGMN3) subiu 8,92%, com lucro ajustado de R$ 73,6 milhões, avanço de 22,2%, e margem Ebitda recorde, segundo a XP.