O mercado acionário nova-iorquino encerrou o pregão desta quarta-feira, 29, em queda, pressionado pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed) que, embora esperada, veio acompanhada de três votos dissidentes. O índice Dow Jones recuou 2,19%, para 51.594,14 pontos; o S&P 500 perdeu 1,52%, aos 7.316,22 pontos; e o Nasdaq cedeu 1,74%, fechando em 24.442,94 pontos. A sessão também foi impactada pela alta do petróleo, impulsionada pelos recentes ataques no Oriente Médio, e pela expectativa em torno dos balanços de gigantes da tecnologia, como Microsoft e Meta, que divulgaram resultados após o fechamento.
Fed mantém juros, mas dissidência acende alerta
A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) de manter as taxas inalteradas era amplamente esperada pelo mercado. No entanto, o fato de três membros terem votado por um aperto monetário surpreendeu e gerou incertezas sobre os próximos passos da política monetária. O BMO destacou que este foi o maior número de votos divergentes desde setembro de 2016, indicando uma divisão interna significativa. Os três dissidentes favoráveis a uma postura mais restritiva são os mesmos que já haviam se oposto à inclusão de um viés de flexibilização em abril. Segundo o BMO, o comitê conta com membros conservadores vocalizados, mas a maioria segue o presidente do Fed, Kevin Warsh, que defende a manutenção das taxas pelo menos até setembro, quando os dados de inflação ao consumidor de julho e agosto estarão disponíveis.
Em entrevista, Warsh afirmou que a decisão estava dentro do esperado. “Pedi uma ‘boa briga de família’ e foi o que aconteceu”, declarou. Ele descreveu a discussão como “ativa e robusta” e destacou que, apesar da falta de unanimidade, há consenso de que o Fed tem condições de garantir a estabilidade de preços. “Vou deixar que os dissidentes se expressem por conta própria”, completou.
Petróleo em alta agrava cenário inflacionário
Os preços do petróleo subiram novamente nesta quarta-feira, reflexo da escalada das tensões no Oriente Médio. A oferta global segue sob pressão, o que alimenta temores inflacionários e pode influenciar as decisões futuras do Fed. O movimento de alta da commodity contribuiu para o humor negativo em Wall Street, uma vez que eleva os custos de energia e impacta diversos setores da economia.
Foco em inteligência artificial e balanços
A temporada de balanços corporativos prossegue com atenção redobrada para as big techs. Após o fechamento dos mercados, Microsoft e Meta divulgaram seus resultados trimestrais, com os gastos em inteligência artificial (IA) no centro das atenções. O mercado busca sinais sobre a demanda por IA e sua rentabilidade. A Capital Economics alertou que, se as preocupações com a demanda por IA se intensificarem, as quedas nas ações de semicondutores podem se acelerar, arrastando o S&P 500 para baixo, já que o impulso de outros setores pode não ser suficiente para compensar.
Quedas generalizadas em Wall Street
No campo das ações individuais, a Nvidia, uma das principais expostas à IA, caiu 3,6%, enquanto a Intel recuou 5,08%. O setor bancário também sofreu perdas disseminadas: Goldman Sachs e Citigroup cederam 5,09% e 4,03%, respectivamente. O movimento reflete a aversão ao risco predominante no mercado, em meio às incertezas sobre os rumos da política monetária e os impactos geopolíticos sobre as commodities.
Impacto global e pressão sobre emergentes
A decisão do Fed e a alta do petróleo têm repercussões globais. A força do dólar, combinada com o choque nos preços da commodity, coloca pressão adicional sobre bancos centrais de economias emergentes, como o Banco Central do Brasil (Copom). A apreensão no mercado internacional pode levar a uma postura mais cautelosa por parte das autoridades monetárias, que buscam equilibrar o controle da inflação com o crescimento econômico.
O cenário de cautela deve persistir enquanto os investidores digerem as sinalizações do Fed e acompanham os próximos balanços e dados econômicos. A reunião de setembro do Fomc será crucial, especialmente com a divulgação dos dados de inflação entre julho e agosto, que podem definir a direção dos juros nos Estados Unidos.



