B3 tem pregão atrasado 3 horas por falha técnica; caso lembra 2007
B3 tem pregão atrasado 3 horas por falha técnica

Na última sexta-feira (31), o pregão da B3 (B3SA3) começou com quase três horas de atraso. A operadora da bolsa brasileira atribuiu o problema a uma falha técnica no processamento do ambiente de pós-negociação, decorrente de uma intercorrência operacional em um de seus componentes tecnológicos da câmara de compensação. A instituição negou que tenha havido ataque hacker ou qualquer interferência externa nos sistemas.

O que disse a B3 sobre o atraso

Em comunicado, a B3 informou que o atraso foi causado por uma intercorrência operacional em um componente tecnológico do ambiente de pós-negociação, sem dar mais detalhes sobre qual componente teria falhado. A instituição negou que tenha havido ataque hacker ou interferência externa. Depois da normalização dos sistemas, os negócios foram iniciados com quase três horas de atraso em relação ao horário habitual.

O incidente reacendeu a discussão sobre a robustez da infraestrutura crítica do mercado financeiro brasileiro. Qualquer interrupção em uma bolsa de valores de grande porte gera repercussão imediata entre investidores, corretoras e empresas listadas.

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Em 2007, um IPO sobrecarregou a Bolsa

Quase vinte anos antes, outro episódio marcou a história da bolsa brasileira. Em 30 de novembro de 2007, o IPO da BM&F — que mais tarde se fundiria com a Bovespa para criar a B3 — sobrecarregou o sistema de negociação e interrompeu o pregão por cerca de uma hora. Na ocasião, a euforia tomava conta do mercado após o sucesso do IPO da Bovespa Holding, realizado em outubro daquele ano.

As ações da Bovespa Holding dispararam mais de 52% no pregão de estreia, um desempenho que se tornou um marco para o mercado brasileiro e ajudou a atrair uma nova geração de investidores para a renda variável. O forte retorno alimentou a expectativa de ganhos rápidos em novas ofertas públicas iniciais, que viviam seu auge naquele período.

Demanda recorde de investidores

Na oferta da BM&F, mais de 253 mil pessoas físicas participaram da operação, um recorde para a época. O papel foi precificado em R$ 20, no teto da faixa indicativa, refletindo a forte procura. Contudo, a demanda superou todas as projeções: o volume de ordens de compra e venda foi tão elevado que o sistema de negociação da Bolsa ficou sobrecarregado, provocando interrupções e dificuldades operacionais entre 11h e 12h14.

Segundo relatos da época, milhares de investidores tentavam ampliar suas posições depois de receberem uma quantidade menor de papéis do que a desejada no rateio da oferta. O movimento também refletia a corrida observada semanas antes no IPO da Bovespa Holding, que havia gerado ganhos superiores a 50% no primeiro dia.

A responsabilidade da CVM

Na época, a então presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, destacou à Folha de S. Paulo que o número recorde de investidores de varejo na oferta da BM&F reforçou a responsabilidade da autarquia na proteção e orientação do mercado. Ela afirmou:

“Essas 285 mil pessoas [que participaram do IPO da BM&F] trazem noção da nossa responsabilidade de educação do investidor e do nosso papel de fazer as regras valerem, aplicando punições quando são descumpridas.”

Normalização e comparação com o incidente atual

Após a normalização dos sistemas, as ações da BM&F chegaram a registrar valorização próxima de 22% no pregão de estreia, com volume financeiro considerado excepcional para os padrões da época. O episódio entrou para a história como um dos momentos de maior euforia do mercado acionário brasileiro.

Embora os dois episódios tenham ocorrido em contextos bastante diferentes, ambos evidenciam como falhas operacionais podem afetar o funcionamento do mercado. No caso atual, o problema esteve relacionado à infraestrutura de pós-negociação e à abertura da câmara de compensação. Já em 2007, a dificuldade ocorreu na ponta de negociação, com um fluxo extraordinário de ordens que excedeu a capacidade operacional disponível na época.

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Legado do boom de IPOs

Para muitos participantes do mercado, os IPOs da Bovespa e da BM&F marcaram um período de grande euforia na Bolsa brasileira. Além de atraírem centenas de milhares de investidores, as duas operações simbolizaram o boom de aberturas de capital da segunda metade dos anos 2000 e ajudaram a consolidar a popularização do mercado acionário no país.

(com informações de Folha de São Paulo e Estadão)