Juros bancários batem recordes no Brasil: rotativo do cartão atinge 442,4% ao ano
Juros bancários recordes no Brasil em junho: rotativo a 442,4%

As taxas de juros cobradas de pessoas físicas com recursos livres — aquelas definidas livremente pelos bancos e instituições financeiras — continuam a bater recordes no Brasil. De acordo com as estatísticas monetárias e de crédito divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira, a taxa média cobrada das famílias em junho alcançou 64,0% ao ano, uma alta de 1,2 ponto percentual em apenas um mês.

Cartão de crédito lidera com taxas estratosféricas

O rotativo do cartão de crédito mantém a liderança disparada entre as modalidades, com impressionantes 442,4% de taxa anual. Em segundo lugar vem o pagamento parcelado no cartão de crédito, com 191,4% ao ano. Como resultado, a taxa média dos cartões de crédito atingiu em junho o recorde de 97,4% anuais.

Outro destaque negativo é o cheque especial, cuja taxa chegou a 139,8% ao ano. O crédito pessoal não consignado ficou em 127,3% ao ano, enquanto o não consignado sem garantias alcançou 149,5% ao ano. Já o crédito consignado para trabalhadores do setor privado continua acima de 50% ao ano desde abril de 2025, registrando 54% em junho.

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Apesar dos juros altos, inadimplência estável

Mesmo com as taxas em níveis elevados, a inadimplência no crédito com recursos livres manteve-se estável em 6,2% no mês de junho. Contudo, em comparação com doze meses atrás, houve elevação de 0,9 ponto percentual.

O endividamento das famílias, medido com defasagem de um mês, ficou em 49,8% em maio, com redução de 0,1 ponto percentual no mês e alta de 0,9 ponto percentual em doze meses. Já o comprometimento da renda aumentou 0,1 ponto percentual em maio ante abril, e 1,3 ponto percentual em doze meses, situando-se em 28,5%.

Especialistas alertam para impacto no consumo

Economistas consultados pelo Banco Central apontam que a persistência de juros elevados no crédito ao consumidor tende a comprimir o consumo das famílias e aumentar o risco de inadimplência futura. Segundo os dados, a inadimplência acumulada em doze meses já mostra tendência de alta, o que pode levar os bancos a elevar ainda mais as taxas para compensar perdas.

Comparação com períodos anteriores

A taxa média de 64% ao ano representa o maior patamar da série histórica do Banco Central, superando o recorde anterior registrado em maio. O rotativo do cartão de crédito, com 442,4% ao ano, também é o maior valor já registrado, refletindo a dificuldade dos consumidores em quitar suas faturas integralmente.

O cheque especial, embora com taxa menor que o rotativo, ainda é uma das modalidades mais caras, com 139,8% ao ano. O crédito pessoal não consignado, utilizado por quem não tem vínculo empregatício formal, atingiu 127,3% ao ano, pressionando ainda mais as finanças dos trabalhadores informais.

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