O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira a venda de suas operações de varejo na Colômbia e no Panamá para o GNB Sudameris por R$ 2,5 bilhões. A transação, que ainda depende de aprovações regulatórias, marca a saída do banco brasileiro desses dois mercados latino-americanos e reforça a estratégia de focar em operações com maior potencial de retorno.
Detalhes do negócio
O valor de R$ 2,5 bilhões corresponde a aproximadamente US$ 450 milhões, considerando a cotação atual do dólar. O pagamento será feito em dinheiro, conforme comunicado enviado ao mercado. A operação inclui a transferência de carteira de clientes, agências e funcionários das unidades de varejo do Itaú na Colômbia e no Panamá.
Segundo o banco, a decisão faz parte de uma revisão periódica de portfólio, priorizando mercados onde a instituição possa ter escala e rentabilidade mais consistentes. O Itaú manterá suas operações de atacado (corporate e investment banking) nesses países, que não fazem parte do acordo.
Impacto para o Itaú
Com a venda, o Itaú reduz sua exposição a operações de varejo em países com menor sinergia com o negócio principal. A medida deve gerar um ganho de capital estimado em R$ 1,8 bilhão, que será reconhecido após o fechamento da transação, previsto para o primeiro semestre de 2027.
Em nota, o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou: “Essa operação reforça nosso compromisso com a disciplina de capital e com a alocação eficiente de recursos, concentrando esforços onde podemos gerar mais valor para clientes e acionistas.”
Histórico e contexto regional
O Itaú havia adquirido essas operações em 2016, quando comprou o CorpBanca, banco chileno com presença na Colômbia e no Panamá. Desde então, o banco brasileiro enfrentou desafios de integração e rentabilidade nessas praças, além de concorrência acirrada de bancos locais e internacionais.
Nos últimos anos, o Itaú já havia vendido operações em outros países da América Latina, como Uruguai e Paraguai, como parte de uma estratégia de simplificação. Com a saída da Colômbia e do Panamá, o banco mantém presença relevante no Chile, Argentina e Peru, além do Brasil.
O comprador: GNB Sudameris
O GNB Sudameris é um grupo financeiro com forte atuação na América do Sul, controlado pela família Gilinski, de origem colombiana. A aquisição das operações do Itaú na Colômbia e no Panamá amplia significativamente a presença do grupo nesses mercados, adicionando cerca de 1,2 milhão de clientes e 150 agências.
Analistas do setor avaliam que a operação é positiva para ambas as partes: o Itaú libera capital para focar em negócios mais estratégicos, enquanto o GNB Sudameris ganha escala em mercados que já conhece. A transação ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores da Colômbia, Panamá e Brasil.
Próximos passos
O Itaú informou que as operações de varejo na Colômbia e no Panamá continuarão funcionando normalmente até a conclusão da venda. Os funcionários das unidades serão transferidos para o GNB Sudameris, com garantia de manutenção dos contratos de trabalho.
Com essa venda, o banco brasileiro projeta uma redução de cerca de 0,3 ponto percentual em seu índice de Basileia, mas o ganho de capital deve compensar o efeito. A instituição reafirmou suas metas de rentabilidade para o ano, mantendo a projeção de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) acima de 20%.
O mercado reagiu positivamente ao anúncio, com as ações do Itaú subindo 1,8% no pregão desta terça-feira, enquanto o Ibovespa avançou 0,5%. Investidores veem a medida como mais um passo na direção de uma gestão mais enxuta e focada.



