O Itaú Unibanco revisou para baixo sua projeção de crescimento da receita com prestação de serviços e seguros para 2026, de 10% para 7%. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4) pelo banco, que atribuiu a mudança ao cenário macroeconômico mais desafiador, com juros elevados e atividade econômica mais fraca.
Impacto nos resultados
A revisão ocorre em meio a um ambiente de desaceleração econômica, que afeta a demanda por crédito e serviços financeiros. O banco, que é o maior da América Latina, espera que a receita com serviços e seguros cresça 7% neste ano, abaixo da estimativa anterior de 10%. A mudança reflete a expectativa de menor crescimento da carteira de crédito e menor atividade de mercado de capitais.
Em teleconferência com analistas, o diretor financeiro do Itaú, Alexsandro Broedel, afirmou: "Estamos ajustando nossas expectativas para refletir um cenário mais conservador, com menor dinamismo na atividade econômica e impacto nos volumes de negócios." Ele acrescentou que a revisão é uma medida prudente diante das incertezas.
Detalhes da projeção
A projeção de crescimento de 7% para a receita de serviços e seguros em 2026 representa uma desaceleração em relação aos anos anteriores, quando o banco registrou expansões de dois dígitos. Em 2025, a receita com serviços e seguros cresceu 12%, impulsionada por produtos como cartões, seguros e gestão de ativos.
O Itaú também manteve a projeção de crescimento da carteira de crédito em um dígito baixo, entre 4% e 6%, e a margem financeira gerencial deve ficar estável. A revisão da receita de serviços e seguros é um dos principais ajustes no guidance do banco para o ano.
Contexto econômico
A decisão do Itaú ocorre em um momento de aperto monetário, com a taxa Selic em nível elevado, o que encarece o crédito e reduz a demanda. Além disso, a inflação persistente e o crescimento econômico fraco têm levado os bancos a adotarem posturas mais cautelosas em suas projeções.
O banco, no entanto, destacou que a qualidade dos ativos continua sólida, com inadimplência controlada, e que a revisão não afeta a meta de rentabilidade (ROE) de cerca de 21% para 2026.
Reação do mercado
Após o anúncio, as ações do Itaú registraram leve queda na bolsa, refletindo a percepção de que o ambiente de negócios segue desafiador. Analistas avaliam que a revisão era esperada, dado o cenário macroeconômico, mas a magnitude do corte (3 pontos percentuais) foi um pouco maior que o previsto.
O Itaú é o primeiro grande banco brasileiro a divulgar projeções para 2026, e sua revisão pode servir de referência para os demais. O Bradesco e o Santander devem divulgar suas projeções nos próximos meses.
Perspectivas
Apesar da revisão, o Itaú mantém uma visão de longo prazo positiva, apostando em eficiência operacional e crescimento em segmentos como seguros e gestão de ativos. O banco também investe em tecnologia para reduzir custos e melhorar a experiência do cliente.
Com a nova projeção, o Itaú espera que a receita com serviços e seguros atinja cerca de R$ 70 bilhões em 2026, um aumento de 7% em relação a 2025. O banco reforçou que continuará monitorando o cenário e pode ajustar as projeções conforme a evolução da economia.



