Crédito deve crescer 0,8 ponto percentual em junho, diz Febraban
Crédito deve crescer 0,8 ponto percentual em junho

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou nesta quarta-feira a projeção de que a carteira de crédito no Brasil terá um crescimento de 0,8 ponto percentual em junho, na comparação com maio. A estimativa aponta para um saldo total de R$ 5,2 trilhões, impulsionado por um aumento nas operações de crédito tanto para empresas quanto para pessoas físicas.

Segundo a Febraban, o avanço reflete a retomada gradual da atividade econômica, mesmo em um cenário de juros elevados. O crédito para empresas deve registrar alta de 1,2% no mês, enquanto o crédito para pessoas físicas deve crescer 0,5%. Esses números reforçam a resiliência do mercado de crédito brasileiro.

Detalhamento da projeção

A projeção da Febraban considera dados de grandes bancos associados e leva em conta fatores como a sazonalidade e o desempenho recente da economia. O crescimento de 0,8 ponto percentual representa uma aceleração em relação ao mês anterior, quando a carteira registrou alta de 0,5 ponto percentual.

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"O crédito continua expandindo, apesar do aperto monetário, mostrando a confiança dos agentes econômicos", afirmou o economista-chefe da Febraban, em nota oficial. A entidade também destacou que as operações de crédito imobiliário e veículos tiveram desempenho positivo.

Impacto econômico

O crescimento da carteira de crédito é um indicador importante para a economia, pois sinaliza maior consumo e investimento. Com a projeção de junho, a Febraban estima que o saldo total de crédito no Brasil encerre o semestre com alta acumulada de 3,2%.

Analistas do mercado financeiro acompanham de perto esses números, pois eles influenciam decisões de política monetária do Banco Central. O aumento do crédito pode pressionar a inflação, mas também contribui para o crescimento do PIB.

Perspectivas para o segundo semestre

A Febraban prevê que o ritmo de crescimento do crédito deve se manter no segundo semestre, com possíveis impactos das eleições e da política fiscal. A entidade ressalta que a trajetória dos juros será determinante para o desempenho da carteira nos próximos meses.

Em resumo, a projeção de 0,8 ponto percentual para junho reforça a tendência de recuperação do crédito no Brasil, apesar dos desafios econômicos. O setor bancário segue otimista, mas atento às condições macroeconômicas.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa da Febraban é baseada em dados de 20 grandes bancos, que representam cerca de 80% do mercado de crédito nacional. O levantamento considera operações de crédito livre e direcionado, incluindo linhas como capital de giro, cheque especial, crédito consignado, financiamento imobiliário e veículos.

Em maio, a carteira de crédito havia crescido 0,5 ponto percentual, e a aceleração para 0,8 ponto em junho surpreendeu positivamente o mercado. A Febraban atribui o desempenho à maior demanda por crédito empresarial, especialmente para capital de giro.

Crédito para empresas

O crédito destinado a empresas deve crescer 1,2% em junho, impulsionado por operações de curto prazo. As micro e pequenas empresas têm liderado a demanda, aproveitando linhas de crédito com juros mais baixos. Já as grandes empresas buscam financiamento para projetos de investimento.

"O segmento empresarial está mais confiante, e os bancos estão abertos a conceder crédito", destacou a Febraban.

Crédito para pessoas físicas

Para as pessoas físicas, a projeção é de crescimento de 0,5% em junho. O crédito consignado e o financiamento de veículos são os principais motores. O crédito imobiliário também mantém ritmo positivo, com taxas de juros atrativas em alguns bancos.

No entanto, o endividamento das famílias ainda preocupa. A Febraban alerta para a necessidade de educação financeira e controle do orçamento.

Impacto nos juros e inflação

O crescimento do crédito pode influenciar a política de juros do Banco Central. Se a demanda por crédito continuar aquecida, pode haver pressão inflacionária, levando o Copom a manter a Selic em patamares elevados. Por outro lado, a expansão do crédito estimula o consumo e o PIB.

Economistas consultados pela Febraban avaliam que o cenário é de equilíbrio, mas requer monitoramento constante.

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Comparação com meses anteriores

Em maio, o crescimento foi de 0,5 ponto percentual; em abril, 0,6 pp; em março, 0,4 pp. A média do primeiro trimestre foi de 0,5 pp. A aceleração em junho indica uma tendência de recuperação mais forte no segundo trimestre.

A Febraban revisou sua projeção para o ano de 2026, prevendo um crescimento total de 8% na carteira de crédito, ante 7% estimados anteriormente.

Contexto internacional

Em comparação com outros países, o Brasil tem mostrado um mercado de crédito resiliente. Enquanto economias avançadas enfrentam desaceleração, o crédito brasileiro se beneficia de uma base de juros ainda alta, mas com expectativa de corte no futuro. A Febraban destaca que o crescimento de 0,8 pp é superior à média dos últimos cinco anos para o mês de junho, que é de 0,4 pp.

Reação do mercado

Após a divulgação da projeção, o mercado financeiro reagiu com otimismo. O índice Bovespa registrou alta de 0,5% no dia, impulsionado por ações de bancos. Analistas do Credit Suisse e do Itaú BBA comentaram que a projeção reforça a visão de que a economia brasileira está se recuperando.

O dólar comercial caiu 0,3%, refletindo a confiança dos investidores. A taxa de juros futura para 2027 recuou ligeiramente.

Riscos e desafios

Apesar do otimismo, a Febraban alerta para riscos como a inflação persistente, o endividamento das famílias e a incerteza fiscal. Se a inflação não ceder, o Banco Central pode manter a Selic alta, freando o crédito. Além disso, a inadimplência, embora controlada, exige monitoramento.

O relatório da Febraban também aponta que o crédito rural e o agro têm destaque, com crescimento esperado de 2% no mês, impulsionado pela safra.

Considerações finais

A projeção da Febraban para junho mostra resiliência do mercado de crédito brasileiro. Com a expectativa de manutenção do ritmo no segundo semestre, o setor bancário se prepara para atender a demanda, ao mesmo tempo em que gerencia riscos.

Em nota, o presidente da Febraban afirmou: "Estamos otimistas, mas prudentes. O crédito é um termômetro da economia, e estamos vendo sinais positivos."