A cuidadora Claudete Aparecida de Paula Silva não conteve as lágrimas nesta segunda-feira (27) ao descrever a situação dramática em sua casa, em Ribeirão Preto (SP), que completa quatro dias sem energia elétrica desde o temporal da última sexta-feira (24). Ela, que cuida de 15 crianças e de sua mãe, de 83 anos, viu seus alimentos estragarem e não tem condições de seguir trabalhando. "Não tem como. Tenho dó da minha mãe, coitada, de idade, está sofrendo demais. Estragou tudo a minha comida, a minha carne, tudo. Não tem como, ver minha mãe sofrer, ela sofre demais", desabafou.
Temporal devastador e ventos de 160 km/h
A forte tempestade que atingiu a região de Ribeirão Preto na madrugada de sexta-feira deixou um rastro de destruição. De acordo com o governador Tarcísio de Freitas, os ventos chegaram a 160 km/h, conforme medições do Instituto Agronômico (IAC), centro de pesquisa do estado focado no desenvolvimento agrícola. O impacto foi imediato: árvores caídas, destelhamentos e uma extensa interrupção no fornecimento de energia elétrica.
CPFL Paulista e a lentidão na retomada
A CPFL Paulista informou que, até esta segunda-feira, 1.249 unidades consumidoras seguem sem energia em Ribeirão Preto. O número representa uma parcela dos afetados, mas a demora no restabelecimento tem gerado revolta e desespero entre os moradores. Claudete é uma das vítimas: "A gente fica sem luz, sem água, porque o poço também não funciona. É um desespero", afirmou. Ela trabalha como cuidadora de crianças e depende da energia para realizar suas atividades, como preparar refeições e manter os alimentos refrigerados.
Impacto na saúde e na rotina
Além do prejuízo material, a falta de luz afeta a saúde de idosos e crianças. Claudete relata que sua mãe, de 83 anos, tem sofrido com o calor e a falta de condições mínimas de conforto. "Ela está acamada, precisa de cuidados especiais. Sem energia, não consigo ligar o ventilador, nem conservar os remédios que precisam de refrigeração", explicou. A situação é agravada pelo fato de a cidade registrar altas temperaturas típicas do verão, tornando o ambiente insalubre.
Moradores se organizam em meio ao caos
Diante da demora, muitos moradores têm buscado alternativas, como geradores improvisados ou a solidariedade de vizinhos. No entanto, para famílias de baixa renda como a de Claudete, essas soluções são inviáveis. "Não tenho dinheiro para comprar um gerador. Fico na mão mesmo", lamentou. A prefeitura de Ribeirão Preto montou pontos de apoio para distribuição de água e alimentos, mas a logística ainda é insuficiente para atender todos os bairros afetados.
Governo estadual promete agilidade
O governador Tarcísio de Freitas, durante visita à região no domingo (26), afirmou que determinou prioridade total para o restabelecimento da energia e que equipes extras foram mobilizadas. "Estamos trabalhando 24 horas para normalizar a situação. Pedimos paciência à população", declarou. A CPFL Paulista, por sua vez, atribuiu a demora à extensão dos danos na rede elétrica, que exige reparos complexos. A concessionária não apresentou prazo definitivo para a retomada completa do serviço.
Enquanto isso, Claudete e milhares de outras famílias seguem na expectativa de que a luz volte, para que possam retomar suas vidas e minimizar os prejuízos acumulados nesses quatro dias de escuridão.



