A partir da quarta-feira, 10 de julho, está proibido plantar ou manter viva qualquer planta de soja no estado de Rondônia. A medida, conhecida como vazio sanitário, tem como objetivo principal combater a ferrugem asiática, uma das doenças mais prejudiciais à produção de soja. Para proteger a próxima safra, os produtores precisam deixar de plantar por 90 dias.
Segundo o governo estadual, a ação é necessária porque o fungo causador da ferrugem asiática, o Phakopsora pachyrhizi, depende exclusivamente da soja para sobreviver. Sem a planta hospedeira, o fungo não consegue se manter no ambiente. Assim, ao eliminar qualquer vestígio da cultura durante esse período, interrompe-se o ciclo da doença antes do início de uma nova produção.
Regras rigorosas para todos os produtores
O vazio sanitário também proíbe o cultivo de soja em áreas irrigadas ou consorciado com outras culturas, como milho, sorgo ou milheto. Não há exceções: a ausência da planta deve ser total em todo o território rondoniense.
De acordo com o governo de Rondônia, a regra não se limita às lavouras. A partir deste ano, até mesmo a soja que nasce espontaneamente às margens da BR-364 deverá ser eliminada, responsabilidade que ficará a cargo da concessionária da rodovia. Essa medida demonstra o nível de cuidado necessário para evitar que o fungo encontre qualquer brecha para sobreviver.
Soja tiguera também deve ser eliminada
Na prática, isso significa que não pode haver nenhum pé de soja vivo, nem mesmo aqueles que surgem espontaneamente após a colheita, conhecidos como soja “tiguera” ou “guaxa”. Essas plantas, apesar de parecerem inofensivas, funcionam como abrigo para o fungo. Por isso, os produtores precisam realizar uma verdadeira “limpeza” nas áreas agrícolas.
Fiscalização e penalidades
De acordo com a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), a colaboração dos produtores é fundamental para o sucesso da medida. Durante todo o período, serão realizadas ações de orientação e fiscalização para garantir o cumprimento das normas. Quem desrespeitar as regras pode sofrer penalidades previstas na legislação.
Para o governo de Rondônia, o esforço coletivo traz resultados diretos para o campo. Ao reduzir a presença do fungo, a próxima safra tende a ser mais saudável e exigir menos aplicação de defensivos, o que também diminui os custos de produção. Além disso, a medida ajuda a manter a competitividade de Rondônia no cenário agrícola nacional.



