Haiti marca eleições para dezembro após uma década sem votação
Haiti anuncia eleições em dezembro após 10 anos

O governo do Haiti anunciou, nesta segunda-feira, a realização do primeiro turno das eleições presidenciais, legislativas e locais para o dia 13 de dezembro de 2026, após uma década sem qualquer processo eleitoral no país. A decisão, tomada pelo Conselho Eleitoral Provisório, está condicionada a um 'ambiente de segurança aceitável', em meio à violência desenfreada de gangues que controla vastas áreas da capital, Porto Príncipe, e de outras regiões.

Condições de segurança e referendo constitucional

O pleito incluirá também um referendo sobre mudanças na Constituição, que visa reformular o sistema político do país. As autoridades haitianas enfatizaram que a realização das eleições depende da capacidade de garantir a segurança dos eleitores e das seções eleitorais. 'Sem um ambiente de segurança mínimo, não podemos realizar um processo democrático', afirmou um porta-voz do Conselho Eleitoral, sob condição de anonimato.

A violência das gangues se intensificou nos últimos meses, com sequestros, assassinatos e confrontos armados. Estima-se que mais de 200 mil pessoas foram deslocadas internamente desde o início de 2025, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações.

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Missão internacional liderada pelo Quênia enfrenta desafios

Uma missão internacional de segurança, liderada pelo Quênia e apoiada pela ONU, está no Haiti desde meados de 2025 para ajudar a conter a violência das gangues. No entanto, a força tem enfrentado dificuldades logísticas e de financiamento, além de resistência local. Apenas cerca de 2.500 soldados e policiais foram mobilizados, muito aquém do necessário para pacificar o país.

'A situação de segurança continua crítica, e a missão precisa de mais recursos para cumprir seu mandato', declarou um representante da Caricom, que tem pressionado a comunidade internacional a contribuir com a Força de Supressão às Gangues.

Reações e perspectivas

A Caricom, bloco regional caribenho, saudou o anúncio das eleições, mas reiterou a necessidade de um esforço conjunto para estabilizar o Haiti. 'A democracia haitiana precisa de um ambiente seguro para florescer; pedimos a todos os países que contribuam para a força de segurança', disse uma nota do bloco.

Enquanto isso, a população haitiana vive entre a esperança e o medo. 'Queremos votar, mas temos medo de sair de casa', relatou Jean-Baptiste, morador de Porto Príncipe, em entrevista à AFP. As eleições de dezembro representam uma tentativa de retomar o processo democrático interrompido desde 2016, quando o presidente Jovenel Moïse assumiu o poder.

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