Governo anuncia pacote de R$ 1,3 bilhão para El Niño de 2026/2027
Pacote de R$ 1,3 bi para El Niño em 2026/2027

O governo federal anunciou nesta quinta-feira um pacote de R$ 1,3 bilhão para mitigar os impactos do El Niño previsto para o biênio 2026/2027. A maior parte dos recursos será utilizada na aquisição de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, com o objetivo de reforçar os estoques públicos diante do risco elevado de quebra de safra. A medida, articulada pelos ministérios da Agricultura e da Economia, busca garantir a segurança alimentar e conter a volatilidade de preços no mercado interno.

Detalhes do pacote

Do total de R$ 1,3 bilhão, aproximadamente R$ 900 milhões serão empregados na compra de arroz – o equivalente a 310 mil toneladas – e R$ 400 milhões na aquisição de 180 mil toneladas de milho. Os grãos serão armazenados em silos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e em unidades de cooperativas parceiras. De acordo com o Ministério da Agricultura, a seleção dos fornecedores ocorrerá por meio de leilões públicos, priorizando produtores das regiões Sul e Centro-Oeste, tradicionalmente mais afetadas por eventos climáticos extremos.

Contexto climático e agrícola

O El Niño de 2023 já causou estragos significativos no Brasil, com aumento generalizado das temperaturas, queimadas no cerrado e seca na Amazônia. Para o período 2026/2027, os modelos climáticos indicam um fenômeno de intensidade moderada a forte, com potencial para redução da produtividade de culturas como arroz, milho, soja e feijão. O governo estima que a quebra de safra possa chegar a 15% nas regiões mais vulneráveis, o que justifica a formação de estoques estratégicos.

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Impacto nos mercados

A medida é vista com cautela pelo setor privado. A Associação Brasileira das Indústrias de Arroz (Abiarroz) ressaltou que a compra governamental pode dar suporte aos preços ao produtor, mas alertou para a necessidade de logística eficiente para evitar perdas. Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera o anúncio positivo, desde que as aquisições não interfiram no livre mercado. “É uma ação preventiva importante, mas o sucesso depende da capacidade de armazenamento e distribuição”, afirmou um porta-voz da CNA.

Estoques públicos e histórico

Os estoques públicos de alimentos vêm sendo reduzidos desde a década de 1990, quando o governo deixou de atuar como grande comprador. Atualmente, a Conab mantém capacidade de armazenagem de cerca de 5 milhões de toneladas, mas boa parte dos silos está ociosa ou necessita de reformas. O pacote para o El Niño representa a maior injeção de recursos em formação de estoques desde a crise de abastecimento de 2016, quando o Brasil enfrentou escassez de milho para ração animal.

Perspectivas e desafios

Além da compra de grãos, o governo estuda medidas complementares, como linhas de crédito emergencial para agricultores familiares e subsídios ao seguro rural. O ministro da Agricultura, em entrevista coletiva, destacou que o pacote é apenas o primeiro passo de um plano mais amplo de adaptação às mudanças climáticas. “Precisamos nos preparar para eventos extremos cada vez mais frequentes. Este investimento em estoques é uma âncora de segurança para o produtor e para o consumidor”, declarou.

Especialistas, no entanto, apontam que a formação de estoques não substitui políticas de longo prazo, como investimento em pesquisa de culturas resistentes à seca e melhoria da infraestrutura de irrigação. O debate sobre a eficácia do pacote deve se intensificar nos próximos meses, à medida que os primeiros leilões forem realizados e os efeitos do El Niño comecem a se concretizar no campo.

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