As micro e pequenas empresas (MPEs) continuam como a principal engrenagem do emprego no comércio brasileiro, responsáveis por quase 70% de todos os postos formais de trabalho do setor. Quando somadas às vagas geradas pelas MPEs de serviços, os dois segmentos passam a representar mais de 7 em cada 10 empregos de todo o universo das micro e pequenas empresas no país.
Pesquisa do Sebrae com base na RAIS 2024
Os dados fazem parte da pesquisa Panorama do Emprego, do Sebrae, elaborada com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2024) e compartilhada com a reportagem do InfoMoney. No ano passado, o Brasil registrava 39,4 milhões de vínculos ativos de emprego. Desse total, 19,8 milhões estavam nas micro e pequenas empresas, número ligeiramente superior aos 19,5 milhões de empregos formais mantidos por médias e grandes companhias.
Setor de serviços lidera, comércio vem em segundo
O recorte setorial ajuda a explicar esse peso. Entre as MPEs, o setor de serviços lidera o volume de empregos, com 7,5 milhões de vagas, seguido de perto pelo comércio, com 7 milhões. O retrato mostra o quanto a geração de trabalho entre os pequenos negócios ainda está atrelada ao dinamismo do consumo doméstico.
Concentração em poucas atividades
O levantamento também mostra que esse mercado de trabalho é bastante concentrado. Mais de um quinto de todos os vínculos formais das micro e pequenas empresas está reunido em apenas dez atividades econômicas. Na liderança aparece o segmento de restaurantes e similares, com mais de 721 mil postos de trabalho, o maior contingente entre as MPEs do país. A atividade ocupa a primeira posição em 13 estados e no Distrito Federal. Logo depois vêm o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios e o comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas.
Presidente do Sebrae destaca relevância estrutural
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o avanço das micro e pequenas empresas no estoque total de empregos reforça a relevância estrutural desse segmento para a economia brasileira. “Os números comprovam o que já vemos no cotidiano das cidades brasileiras: as micro e pequenas empresas são a verdadeira força motriz do nosso desenvolvimento e as grandes protagonistas da distribuição de renda”, afirma Soares.
Mudança no perfil das funções mais demandadas
Além do peso na geração de vagas, o estudo aponta uma mudança no perfil das funções mais demandadas no varejo. Cargos mais tradicionais e especializados em vendas vêm perdendo espaço para ocupações mais amplas e multifuncionais, ligadas ao atendimento. Um exemplo é o de “atendente de lojas e mercados”, que registrou acréscimo de 52 mil postos de trabalho no período analisado.
Crescimento de baixo para cima
Para Soares, ver os pequenos negócios superarem as grandes corporações em estoque de empregos formais mostra que o crescimento do Brasil é construído “de baixo para cima, no comércio do bairro, na lanchonete da esquina e na farmácia local”. Por isso, o executivo defende que “apoiar o pequeno empreendedor é o caminho mais rápido e seguro para garantir emprego, dignidade e inclusão social para a nossa população”.



