Eli Lilly compra AtaiBeckley por US$ 3,8 bi em aposta em psicodélicos
Eli Lilly compra AtaiBeckley por US$ 3,8 bi em psicodélicos

A Eli Lilly & Co. anunciou a aquisição da AtaiBeckley por US$ 3,8 bilhões, reforçando sua aposta no mercado de medicamentos psicodélicos. O acordo, divulgado nesta quarta-feira, amplia a atuação da farmacêutica em neurociências, área na qual a empresa já revolucionou o tratamento da depressão com o lançamento do Prozac há cerca de três décadas.

Detalhes do acordo

A transação envolve o pagamento de US$ 3,8 bilhões em dinheiro pela AtaiBeckley, empresa que desenvolve terapias psicodélicas para transtornos de saúde mental. O principal ativo da companhia é o BPL-003, um spray nasal de ação rápida para depressão resistente ao tratamento. O medicamento, que combina uma substância psicodélica com tecnologia de administração nasal, demonstrou eficácia em ensaios clínicos de fase 2.

Segundo a Eli Lilly, o BPL-003 tem potencial para oferecer alívio rápido dos sintomas depressivos, com efeitos observados em horas ou dias, em vez de semanas como os antidepressivos tradicionais. A empresa planeja iniciar estudos de fase 3 ainda este ano.

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Mercado em expansão

O setor de psicodélicos, antes considerado marginal, ganha impulso com o acordo. Estimativas apontam que o mercado global de terapias psicodélicas pode atingir US$ 7 bilhões até 2032, impulsionado por investimentos de grandes farmacêuticas e pela crescente aceitação regulatória. A Eli Lilly, que já tem uma divisão de neurociências consolidada, busca se posicionar como líder nesse segmento.

"Acreditamos que os psicodélicos representam uma nova fronteira no tratamento de transtornos mentais", afirmou o CEO da Eli Lilly, David Ricks, em comunicado. "A aquisição da AtaiBeckley nos permite acelerar o desenvolvimento de terapias inovadoras para milhões de pacientes que não respondem aos tratamentos atuais."

Histórico na neurociência

A Eli Lilly tem um histórico de inovação em neurociências. O Prozac, lançado em 1987, foi um dos primeiros inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e revolucionou o tratamento da depressão. Desde então, a empresa investe em novas abordagens, incluindo medicamentos para Alzheimer e esquizofrenia.

A compra da AtaiBeckley reforça essa trajetória, mas também sinaliza uma mudança de estratégia: em vez de focar apenas em moléculas sintéticas, a Lilly agora aposta em compostos psicodélicos, que agem em receptores de serotonina de forma diferente dos ISRS.

Impacto no setor

O anúncio ocorre em meio a um aquecimento do mercado de psicodélicos. Empresas como a Compass Pathways e a MindMed também avançam em estudos clínicos com psilocibina e MDMA. O acordo da Lilly, no entanto, é o maior já feito no setor e pode acelerar a regulamentação e a adoção dessas terapias.

Analistas avaliam que a entrada de uma grande farmacêutica como a Eli Lilly confere legitimidade ao campo e atrai mais investimentos. "Isso valida o potencial terapêutico dos psicodélicos", disse o analista do setor de saúde John Murphy, do banco de investimentos TD Cowen. "Esperamos ver mais aquisições e parcerias nos próximos anos."

A conclusão do acordo está sujeita a aprovações regulatórias e deve ser finalizada no quarto trimestre de 2026.

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