Os trabalhadores da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, votaram a favor de uma greve, conforme informaram dois sindicatos nesta quinta-feira. A paralisação pode causar interrupções nos embarques de minério de ferro de um dos maiores centros de exportação do mundo.
Detalhes da votação
O Sindicato dos Eletricistas (ETU) informou que cerca de 100 membros aprovaram paralisações que variam de 30 minutos a 24 horas, as quais podem começar nos próximos dias. Já o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Australiana (AMWU) reportou que mais de 100 de seus membros votaram, com 89,4% de apoio à ação.
Negociações e reivindicações
A votação ocorre após meses de negociações com a BHP, a maior mineradora de capital aberto do mundo. Os trabalhadores buscam melhores salários e condições de trabalho. O ETU afirmou que busca um acordo que garanta paridade para os trabalhadores do porto, que foram contratados por meio de contratos individuais considerados extremamente díspares.
Adam Woodage, secretário estadual da Austrália Ocidental, declarou: "Tentamos negociar uma solução há mais de seis meses, mas a conduta obstrucionista da BHP fez com que não tivéssemos ninguém com quem negociar."
Posição da BHP
A BHP afirmou que seu foco continua sendo manter um diálogo construtivo para chegar a um resultado que preserve os salários e condições de trabalho líderes do setor, ao mesmo tempo em que apoia operações seguras, produtivas e sustentáveis. A empresa disse que planos de contingência robustos estão em vigor para garantir que as operações possam continuar no caso de paralisações sindicais.
Importância de Port Hedland
Port Hedland é um dos maiores portos de carregamento de minério de ferro do mundo e o maior da Austrália. Ele está conectado a várias minas da BHP na região de Pilbara e é utilizado para todas as exportações de minério de ferro da empresa na Austrália Ocidental.
Próximos passos
Os trabalhadores podem iniciar uma greve após um aviso prévio de cinco dias, acrescentou o sindicato. O secretário estadual do AMWU, Steve McCartney, disse que os trabalhadores passaram sete meses negociando sem sucesso com a empresa. "Os membros já estão fartos", afirmou. "Eles estão exigindo ser ouvidos e estão exigindo um acordo justo." Ele ainda destacou que mais de 100 trabalhadores estão se mobilizando por salários e condições justas em meio a uma crise do custo de vida.



