Homem preso no Piauí após 28 anos de ameaças à ex-companheira
Preso suspeito de perseguir ex-companheira por 28 anos

Um homem de 54 anos, identificado pelas iniciais A. L. A. de C., foi preso na sexta-feira (31) em uma praça no bairro Morada do Sol, na zona Leste de Teresina, suspeito de violência doméstica. A ação foi realizada por equipes da Diretoria de Operações de Trânsito (DOT) e da Diretoria de Inteligência Estratégica (DINTE), após o suspeito ser localizado por meio do Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial (SPiA).

Investigação aponta 28 anos de perseguição

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), o investigado é suspeito de perseguir, ameaçar e intimidar a ex-companheira durante cerca de 28 anos. A vítima informou à polícia que o suspeito fazia ameaças de morte durante chamadas de vídeo. Em algumas ocasiões, ele teria exibido uma arma de fogo enquanto conversava com ela, o que aumentava o medo e a sensação de vulnerabilidade.

O delegado Fernando Aragão participou da abordagem e questionou o investigado sobre as denúncias. O policial mencionou relatos de ameaças de morte atribuídas ao suspeito, incluindo uma suposta declaração de que "beberia o sangue" da vítima. A fala, segundo a SSP-PI, teria sido feita em um dos episódios de intimidação relatados pela ex-companheira.

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A perseguição contínua, conhecida juridicamente como stalking, é um crime tipificado no Código Penal brasileiro desde 2021, com pena de reclusão de seis meses a dois anos, podendo ser aumentada se a conduta for cometida contra mulher por razões da condição de sexo feminino, como no caso de violência doméstica.

Monitoramento por inteligência artificial

A prisão só foi possível graças à integração entre tecnologias de segurança pública e equipes de investigação. O suspeito era monitorado pelo Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial (SPiA), que auxilia as forças de segurança na identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto. O sistema teria apontado a localização do homem na praça do bairro Morada do Sol, permitindo que as equipes da DOT e da DINTE se deslocassem até o local para cumprir o mandado.

A DOT é conhecida por atuar no policiamento de trânsito, mas frequentemente apoia operações de cumprimento de ordens judiciais em todo o estado. Já a DINTE é responsável por integrar informações estratégicas, auxiliando na tomada de decisões durante operações. A ação conjunta demonstra a importância do trabalho integrado entre diferentes diretorias da segurança pública.

O que acontece agora

Após a prisão, o suspeito foi conduzido para os procedimentos legais e permanece à disposição da Justiça. A SSP-PI afirmou que o caso continua sendo investigado. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do investigado para comentar as acusações. A vítima, que conviveu com o medo por quase 28 anos, deverá prestar novos depoimentos às autoridades durante a instrução processual.

A prisão preventiva, se for o caso, é uma medida cautelar que garante a ordem pública e a conveniência da instrução criminal, especialmente quando há risco de reiteração delitiva. Em casos de violência doméstica, a Justiça também pode impor medidas protetivas de urgência, como afastamento do lar e proibição de contato com a vítima, já previstas na Lei Maria da Penha.

Como denunciar

A SSP-PI reforça que denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas, ou pelo 190, em casos de flagrante. A denúncia pode ser anônima, mas quanto mais informações a vítima ou testemunhas fornecerem, maior é a chance de a polícia agir rapidamente.

O caso ganha relevância não apenas pela gravidade das ameaças, mas também pela duração da suposta violência: 28 anos de perseguição e intimidação. Especialistas apontam que ciclos de violência doméstica tendem a se intensificar com o tempo, e que a ruptura do relacionamento muitas vezes não interrompe as agressões, como parece ter ocorrido nessa situação.

A polícia civil do Piauí segue com as investigações para reunir todas as provas necessárias, incluindo registros de chamadas de vídeo, mensagens e testemunhas. O suspeito permanece preso, à disposição do Poder Judiciário, enquanto a vítima, após anos de sofrimento, aguarda que a Justiça seja feita.

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