Importunação sexual digital cresce 197% no RJ; tatuadora denuncia pizzaiolo
Importunação sexual digital cresce 197% no RJ; tatuadora denuncia

A tatuadora e criadora de conteúdo Taís Thorpe denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante uma live no TikTok, caso que integra uma estatística alarmante: entre 2020 e 2025, os registros de importunação sexual no estado do Rio de Janeiro cresceram 197%, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Aumento expressivo e perfil das vítimas

De acordo com o Dossiê Mulher 2025, as mulheres representaram mais de 90% das vítimas em todos os anos analisados. Em 2025, 2.723 mulheres foram importunadas sexualmente, o equivalente a 91% do total de casos. A média é de 8,2 ocorrências por dia. Entre as mulheres, os registros saltaram de 992 em 2020 para 2.723 em 2025, um crescimento de 175%. A maior parte das vítimas em 2025 concentrou-se nas faixas etárias de 12 a 17 anos e de 18 a 29 anos, conforme o painel de grupos vulneráveis do ISP.

Casos semelhantes em ambientes digitais e transporte público

O caso de Taís Thorpe não é isolado. Em 2024, uma mulher registrou ocorrência contra o amigo do marido após ele realizar seis chamadas de vídeo e se masturbar na câmera. O caso segue sob investigação na Delegacia de Atendimento à Mulher de São Gonçalo. Ainda em 2024, uma atendente sofreu importunação enquanto atendia um cliente: além de se masturbar na câmera, ele proferiu xingamentos e ligou diversas vezes para a vítima, que afirmou que o homem prometeu buscá-la no mesmo dia e descreveu as roupas que ela usava. O inquérito foi concluído e enviado à Justiça do Rio. Em 2025, um homem ejaculou na calça de uma vítima dentro do BRT Curral Falso, na estação Magarça. O caso foi concluído pela 43ª DP (Guaratiba) e enviado à Justiça.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Depoimento e reação da tatuadora

Taís Thorpe prestou depoimento na 9ª DP (Catete) na sexta-feira (24). Ela afirma que um homem que participava da live no TikTok fez gestos obscenos e se masturbou diante da câmera enquanto vestia o uniforme de uma pizzaria do Ceará. Ao g1, Taís disse estar “muito abalada”. No entanto, ressaltou que os relatos de mulheres que desconheciam que a importunação sexual digital também é crime a motivaram a procurar a Justiça: “Elas acham que a importunação sexual é só presencial. E, diante desses relatos, eu me senti na obrigação de tornar isso público para mostrar que a importunação digital também tem que ser criminalizada”, afirmou.

Posição da empresa e contestação da vítima

Em nota oficial e vídeo nas redes sociais, a Via Pizza declarou que repudia integralmente a conduta atribuída ao funcionário e adotou as medidas trabalhistas cabíveis. A empresa informou que, assim que recebeu o relato da influenciadora, encaminhou o caso aos setores administrativo e jurídico para apuração. Taís contestou a nota, afirmando que a empresa a fez repetir a situação diversas vezes e não agiu com rapidez: “Eu senti que, a partir da declaração da empresa, ficou uma lacuna entre o que eu disse e o que a empresa disse. Eles disseram que agiram com prontidão e solidariedade, mas não foi o que aconteceu”.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar