Os terminais portuários brasileiros estão passando por um processo de adaptação para atender às novas exigências dos navios de cruzeiro, que vêm crescendo em tamanho e capacidade. O movimento é uma resposta ao aumento da demanda por cruzeiros na América do Sul, especialmente durante a temporada de verão.
Investimentos em infraestrutura
O Porto de Santos, o maior da América Latina, está ampliando seu terminal de passageiros para receber embarcações de até 300 metros de comprimento. Segundo a Autoridade Portuária de Santos, os investimentos somam R$ 150 milhões e incluem a modernização dos berços de atracação e a instalação de novas passarelas de embarque. Já o Porto do Rio de Janeiro iniciou obras para aprofundar o canal de acesso, permitindo a chegada de navios com calado superior a 8 metros.
Impacto no turismo
A presidenta da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (ABREMAR), Ana Paula Alves, destacou que a adaptação dos terminais é essencial para manter o Brasil competitivo no setor. “Estamos vendo um crescimento de 15% no número de passageiros de cruzeiros nos últimos dois anos. Se os portos não se modernizarem, perderemos essas oportunidades para outros destinos na região”, afirmou. A projeção para a temporada 2026-2027 é de receber mais de 500 mil turistas, gerando cerca de R$ 2 bilhões em receitas diretas e indiretas.
Desafios logísticos
Além das obras físicas, os terminais precisam se adaptar a questões logísticas, como o abastecimento de água e combustível para navios maiores, e a gestão de resíduos. O terminal do Recife, por exemplo, investiu em uma nova estação de tratamento de esgoto para atender às normas ambientais internacionais. “A sustentabilidade é um dos principais requisitos das companhias de cruzeiro atualmente”, explicou o diretor de operações do porto, Carlos Mendes.
Perspectivas futuras
Com a conclusão das obras prevista para o final de 2027, o Brasil espera atrair novas rotas de cruzeiros, incluindo escalas de navios das principais companhias mundiais, como a Royal Caribbean e a MSC Cruzeiros. A expectativa é que o número de escalas aumente em 20% nos próximos cinco anos, consolidando o país como um dos principais destinos de cruzeiros da América do Sul.



