Apenas 15% do transporte de cargas no Brasil utiliza a integração entre diferentes modais, como rodovias, ferrovias e portos, segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O baixo índice de conectividade eleva custos logísticos e reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Diagnóstico do setor
O levantamento, intitulado “Conectividade Multimodal no Brasil”, foi apresentado durante seminário em Brasília e contou com a participação de representantes de entidades como a Associação Brasileira de Logística (ABRALOG) e o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). De acordo com o presidente da CNT, Vander Costa, “a falta de conexão entre os modais é um dos principais gargalos da infraestrutura nacional”.
O estudo mostra que, entre as 50 maiores rotas de carga do país, apenas 12 contam com terminais de integração operacionais. A maior parte do transporte ainda é feita exclusivamente por rodovias, que correspondem a 65% da matriz de transporte brasileira.
Impactos econômicos
A baixa integração multimodal gera um custo adicional estimado em R$ 12 bilhões por ano, segundo cálculos do ILOS. Esse valor poderia ser reduzido com investimentos em ferrovias e hidrovias, além da modernização de portos e aeroportos. O diretor-executivo do ILOS, Paulo Fleury, destacou: “Cada real investido em infraestrutura multimodal retorna em média R$ 3,5 em ganhos de produtividade para a economia”.
O setor agropecuário é um dos mais afetados. A soja, por exemplo, perde cerca de 8% do valor devido a custos logísticos elevados, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE).
Propostas das entidades
As entidades sugerem a criação de um plano nacional de logística integrada, com metas de curto, médio e longo prazo. Entre as medidas prioritárias estão a ampliação da malha ferroviária, a construção de terminais intermodais em regiões estratégicas e a digitalização dos processos de movimentação de cargas.
O governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, sinalizou a intenção de lançar um edital para concessão de cinco novos terminais de integração até o final de 2026. Contudo, as entidades consideram o ritmo insuficiente.
Desafios regulatórios
Outro ponto levantado é a necessidade de harmonização das regras entre os diferentes modais. Atualmente, cada modal possui legislação específica, o que dificulta a contratação de serviços integrados. “Precisamos de um marco regulatório único que simplifique a burocracia e incentive a multimodalidade”, afirmou o presidente da ABRALOG, Pedro Moreira.
O estudo da CNT recomenda ainda a criação de incentivos fiscais para empresas que adotarem soluções de transporte multimodal, como redução do IPI na aquisição de equipamentos de transbordo.



