Consolidação do Arco Norte depende de melhorias nos acessos portuários
Consolidação do Arco Norte depende de melhorias portuárias

A consolidação do Arco Norte como principal corredor de exportação de grãos do Brasil depende de investimentos significativos em infraestrutura de acesso aos portos, de acordo com especialistas do setor. Apesar do crescimento expressivo da movimentação de cargas nos portos da região, gargalos logísticos ainda limitam o potencial do complexo.

Crescimento e gargalos no Arco Norte

Nos últimos anos, os portos do Arco Norte – que incluem terminais em estados como Pará, Amazonas, Maranhão e Rondônia – ampliaram sua participação nas exportações brasileiras de soja e milho. Em 2025, a região respondeu por cerca de 40% do escoamento de grãos do país, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). No entanto, o acesso rodoviário e ferroviário a esses portos ainda apresenta deficiências que encarecem o transporte e reduzem a competitividade.

Investimentos necessários

Estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) aponta que são necessários pelo menos R$ 12 bilhões em obras de duplicação de rodovias, pavimentação de trechos críticos e ampliação da malha ferroviária para garantir o escoamento da safra crescente. “Sem esses investimentos, o Arco Norte não conseguirá atender à demanda prevista para a próxima década”, afirma Carlos Alberto de Oliveira, presidente do ILOS.

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Parte desses recursos está prevista no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas a execução das obras tem sido mais lenta que o esperado. Apenas 30% dos projetos de acesso rodoviário previstos para 2024 foram concluídos no prazo, segundo o Ministério dos Transportes.

Impacto na competitividade

Os gargalos logísticos no Arco Norte impactam diretamente o custo do frete. Em trechos como a BR-163, no Pará, o transporte em caminhões chega a custar 50% mais do que em rodovias pavimentadas de qualidade, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Essa diferença reduz a margem dos produtores e pode desestimular investimentos no setor.

Por outro lado, a melhoria dos acessos portuários tem potencial para reduzir em até 20% o custo logístico total da exportação de grãos, de acordo com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Isso tornaria o Brasil ainda mais competitivo no mercado internacional, especialmente em relação aos Estados Unidos e Argentina.

Perspectivas

O governo federal anunciou recentemente a concessão de novos trechos rodoviários e ferroviários na região, mas o setor privado cobra agilidade. “Precisamos de obras rápidas e eficientes para não perder o bonde do crescimento”, diz João Paulo Ribeiro, diretor de logística da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A consolidação do Arco Norte como hub exportador depende, portanto, de um esforço coordenado entre governo e iniciativa privada para superar os gargalos de infraestrutura. O potencial da região é enorme, mas sem os investimentos necessários, o corredor pode não atingir sua capacidade máxima.

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