Vítima de feminicídio caminha 110 metros após ser esfaqueada pelo ex em SP
Vítima caminha 110m após ser esfaqueada pelo ex em SP

Paula Santos da Silva, de 37 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro Severino Alves Pereira, de 56 anos, em São Vicente, litoral de São Paulo. Imagens obtidas pelo g1 mostram a vítima ensanguentada caminhando com dificuldade por aproximadamente 110 metros após ser atacada, acenando para pedir ajuda a pessoas que passavam pelo local. O homem foi preso em flagrante e deve responder por feminicídio qualificado.

Detalhes do ataque

De acordo com a Polícia Civil, Paula foi atacada na Rua Tibiriçá, no Centro de São Vicente, ao sair do trabalho no dia 13 de julho. O agressor desferiu diversos golpes nas regiões abdominal e cervical da vítima, "áreas sabidamente letais", conforme denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) obtida pela reportagem. A vítima conseguiu percorrer alguns metros antes de cair em frente ao prédio onde morava, na Rua Frei Gaspar.

Análise médica

O médico e cirurgião vascular Caio Focássio explicou ao g1 que a região cervical contém vasos nobres, como artérias carótidas e veias jugulares, que sangram grande volume em pouco tempo. O corpo humano tem aproximadamente seis litros de sangue. "O único jeito dela se manter viva seria se ela conseguisse comprimir bem esse sangramento para evitar que saísse o sangue. Só a compressão poderia ter dado mais tempo de vida para ela. Ela conseguiu caminhar enquanto não estava exsanguinada", afirmou. O especialista acrescentou que outros fatores, como um hematoma desviado para a traqueia causando asfixia, podem ter contribuído para a morte.

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Dinâmica do crime

Paula e Severino mantiveram um breve relacionamento. Sem aceitar o término, o homem esperou a mulher sair do trabalho e a atacou. Após o ataque, ele foi até a Ponte Pênsil para descartar a faca e depois seguiu para a Praça da Biquinha, onde lavou as mãos. Imagens de monitoramento registraram a mulher pedindo socorro. O suspeito retornou ao condomínio para saber como estava a filha de Paula e encontrou os policiais no local. Acompanhado por um agente, ele foi até o apartamento, de onde a criança foi retirada e levada à delegacia. O pai da menina foi acionado e ficou responsável por ela.

Confissão e prisão

Severino foi reconhecido pelas câmeras de monitoramento e, ao ser questionado pela polícia, confessou e detalhou a dinâmica do crime. Ele foi preso em flagrante e deve responder por feminicídio qualificado, com as agravantes de recurso que dificultou a defesa da vítima e emboscada.

Defesa do acusado

O advogado Adriano Neves Lopes, que representa Severino, informou que a defesa ainda não foi formalmente intimada da denúncia oferecida pelo MP-SP. Por isso, aguarda acesso integral ao processo para apresentar resposta à acusação. "A defesa está sensibilizada com a gravidade dos fatos narrados. Contudo, destaca que a Constituição Federal assegura a todo acusado, em processo criminal, o direito da ampla defesa e do contraditório", afirmou o advogado, por meio de nota. Acrescentou que a manifestação defensiva será apresentada nos autos no prazo legal, considerando que houve confissão do acusado perante a autoridade policial.

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