Turista colombiana indiciada por injúria racial na Rocinha
Turista colombiana indiciada por injúria racial na Rocinha

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou uma turista colombiana por injúria racial após ela oferecer uma banana a um capoeirista negro durante uma apresentação na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio. O caso ocorreu no dia 26 de maio e ganhou repercussão nacional e internacional. Segundo a investigação, a mulher deixou o Brasil um dia após o episódio, retornando à Colômbia, o que levou a polícia a solicitar sua inclusão na lista vermelha da Interpol para localização e eventual extradição.

Detalhes do incidente

De acordo com o registro policial, a turista estava na Rocinha acompanhada de outros colombianos para assistir a uma apresentação de artistas locais, incluindo um grupo de capoeira. Durante o evento, ela se aproximou de um dos capoeiristas, que é negro, e ofereceu uma banana, em um gesto interpretado como ofensivo e racista. A cena foi filmada por outros presentes e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando indignação.

A vítima, que não teve o nome divulgado, prestou queixa na 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), que abriu inquérito para investigar o caso. A delegada responsável, Patrícia Aguiar, afirmou que o ato configura injúria racial, crime previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal Brasileiro, com pena de reclusão de um a três anos e multa.

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Fuga e pedido de inclusão na Interpol

A turista deixou o Brasil no dia seguinte ao incidente, em 27 de maio, com destino a Bogotá, na Colômbia. A Polícia Civil considera que a saída do país foi uma tentativa de escapar de eventual responsabilização criminal. Por isso, o delegado responsável pelo caso solicitou à Justiça a inclusão do nome da suspeita na lista vermelha da Interpol, que permite a localização e prisão provisória em qualquer país membro.

“Ela saiu do Brasil um dia depois, o que demonstra claramente a intenção de se furtar à aplicação da lei. Estamos tomando todas as medidas para que ela responda pelo crime cometido em território nacional”, disse a delegada Patrícia Aguiar em entrevista coletiva.

Repercussão e contexto

O caso reacendeu o debate sobre racismo no Brasil e no exterior. A Rocinha, uma das maiores favelas do país, tem forte tradição cultural, com grupos de capoeira, samba e outras manifestações artísticas. A capoeira, em particular, é uma expressão cultural de origem afro-brasileira, frequentemente alvo de preconceito e discriminação.

Entidades de direitos humanos e movimentos negros repudiaram o ato. O Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH) emitiu nota classificando o gesto como “racista e degradante”. “Oferecer uma banana a uma pessoa negra é um símbolo histórico de racismo, que remete à escravidão e à desumanização do negro. Não podemos tolerar esse tipo de conduta”, afirmou a presidente do IDDH, Maria Aparecida Silva.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça, informou que acompanha o caso e que dará suporte às autoridades policiais no pedido de cooperação internacional. A Colômbia, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Próximos passos

A Justiça do Rio de Janeiro analisará o pedido de inclusão na lista vermelha da Interpol. Caso seja aprovado, a turista poderá ser presa em qualquer país que integre a organização, inclusive na Colômbia, que é membro. O processo de extradição, no entanto, depende de tratados bilaterais e pode levar meses ou anos.

A defesa da suspeita ainda não foi localizada para comentar o caso. A polícia acredita que ela já tenha contratado advogados no Brasil, mas não há confirmação oficial.

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