Tesla bate em casa e mata idosa no Texas; Autopilot é suspeito
Tesla bate em casa e mata idosa no Texas; Autopilot é suspeito

Um acidente fatal nos Estados Unidos voltou a colocar sob pressão os sistemas de assistência à condução da Tesla. Na noite de sexta-feira, 19, em Katy, no Texas, um modelo da fabricante saiu de uma rua residencial, atravessou o muro de tijolos de uma casa e atingiu uma mulher de 76 anos que estava dentro do imóvel. A idosa foi levada de helicóptero ao hospital, mas não resistiu.

Detalhes do acidente

Segundo o gabinete do xerife do condado de Harris, o carro não fez uma curva à direita em um cruzamento e seguiu em frente em alta velocidade até colidir contra a parede da sala da residência. O motorista, um homem de 44 anos, foi levado ao hospital de ambulância. As autoridades afirmam que ele não apresentava sinais de embriaguez e tem colaborado com a investigação.

O motorista disse aos investigadores que o Tesla estava com o Autopilot ativado no momento da batida. As autoridades ainda não confirmaram de forma independente se algum sistema de assistência à condução estava em uso, qual era o recurso ativado ou se houve falha humana, falha técnica, mau uso do sistema ou uma combinação de fatores.

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O que diz a Tesla sobre seus sistemas

A Tesla oferece o Autopilot como pacote básico de assistência à condução e também vende o Full Self-Driving (FSD) como recurso mais avançado. Nenhum dos dois, porém, transforma o carro em autônomo. Mesmo no FSD, o motorista precisa permanecer atento, com condições de assumir o controle do veículo imediatamente.

O problema é que a fabricante construiu parte de sua imagem em torno da promessa de um carro cada vez mais capaz de dirigir sozinho. No entanto, nos termos legais, seus sistemas ainda dependem de supervisão humana constante.

Investigação em andamento

O investigador Alex Turman, do gabinete do xerife do condado de Harris, afirmou que o uso dos sistemas automatizados é uma das linhas de apuração. Segundo Turman, as autoridades estão tentando entender qual foi o papel do controle do motorista sobre o veículo no acidente. Isso inclui saber se o sistema estava ativado, como o carro se comportou antes da colisão e se o condutor tentou ou teve tempo de intervir.

"Estamos tentando entender qual foi o papel do controle do motorista sobre o veículo no acidente", disse Turman, destacando que a investigação busca determinar se o sistema estava ativado e como o carro se comportou antes da colisão.

Escrutínio nos EUA e na Europa

A Tesla já vinha sob escrutínio antes do acidente no Texas. Nos Estados Unidos, a agência federal de segurança viária, a NHTSA, investiga milhões de veículos equipados com o Full Self-Driving após relatos de carros avançando sinais vermelhos, entrando em vias no sentido contrário e se envolvendo em colisões. A empresa também enfrenta questionamentos sobre a forma como registra, comunica e compara dados de acidentes envolvendo Autopilot e FSD.

Na Europa, a Tesla tenta ampliar a aprovação do Full Self-Driving, mas esbarra em desconfiança regulatória. A Reuters revelou que a fabricante apresentou a autoridades da Suécia e da Holanda estatísticas de segurança consideradas enganosas por especialistas independentes. O problema estaria na comparação usada pela Tesla para defender que carros com FSD seriam muito mais seguros. De acordo com a agência, a empresa comparou seus carros, mais novos e equipados com tecnologias modernas de segurança, com a frota média americana, naturalmente mais antiga.

A Holanda aprovou o uso do FSD supervisionado em abril. Ainda assim, o caso mostra que a Europa quer que a Tesla seja capaz de provar, com dados comparáveis e auditáveis, que seu sistema é seguro o suficiente para ser liberado em escala.

Conclusão

No acidente do Texas, ainda não há conclusão. Mas a tragédia reforça um ponto que a própria Tesla escreve em seus manuais, ainda que nem sempre com o mesmo peso de suas promessas comerciais. O Autopilot não é piloto automático no sentido pleno da expressão, e o Full Self-Driving não é direção totalmente autônoma.

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