Ranking das cidades menos violentas do Brasil
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o Anuário 2023, que aponta as cidades com as menores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil habitantes. Sete dos dez municípios mais seguros estão em São Paulo, e os outros três em Santa Catarina. A cidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista, lidera o ranking com taxa de 1,2, seguida por Tubarão (SC), com 1,7. Completam a lista Santa Bárbara d'Oeste (SP, 2,1), Salto (SP, 2,1) e Jandira (SP, 2,5).
Capitais menos e mais violentas
Entre as capitais, São Paulo tem a menor taxa (7,2), seguida por Brasília (9,6), Goiânia (11,4), Florianópolis (11,4) e Vitória (13,7). Já as capitais mais violentas são Salvador (44), Maceió (39,4), Recife (36,3), Macapá (36,1) e Porto Velho (34,6). O indicador MVI agrega homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial.
Rota do tráfico e facções explicam violência no Nordeste
O Nordeste concentra as cidades mais violentas do país, puxado por corredores logísticos do tráfico de drogas. A cidade de Maranguape (CE) lidera com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes. Segundo Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, "o que as 10 cidades mais violentas têm em comum é o acesso privilegiado a alguma rota direta para uma BR ou outra rodovia estratégica para o escoamento da droga". Em Maranguape, atuam quatro grupos criminosos em conflito: PCC, CV, Massa Carcerária e Guardiões do Estado.
O sul da Bahia também se destaca negativamente, com Eunápolis e Porto Seguro entre as mais violentas. Cinco cidades baianas estão no topo do ranking. Na região, operam facções como CV, Mercado do Povo Atitude (MPA), Primeiro Comando Eunápolis (PCE) e Bonde do Maluco (BDM). Eunápolis é estratégica por estar cruzada pelas BR-101 e BR-367.
Queda de homicídios nem sempre significa menos criminalidade
Especialistas alertam que a redução de assassinatos pode estar ligada ao domínio de uma facção sobre o território, não à diminuição da criminalidade. Além disso, crimes como roubos e golpes são frequentemente subnotificados. Em resposta, a Secretaria da Segurança da Bahia informou que realizou mais de 500 operações no primeiro semestre, com redução de 20% nos assassinatos, aumento de 10% nas prisões e 5% nas apreensões de armas. A pasta investiu R$ 1,3 bilhão em estruturas e contratou 11 mil profissionais.



