FIFA planeja vender participações de US$ 20 bi e enfrenta oposição da UEFA
FIFA planeja vender participações de US$ 20 bi e enfrenta oposição

A FIFA divulgou nesta terça-feira sua intenção de vender participações minoritárias que podem render até US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102,5 bilhões). O movimento ocorre por meio da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária de propriedade exclusiva da entidade, que consolidará todas as operações comerciais e de eventos da organização. A iniciativa, no entanto, já enfrenta forte oposição da UEFA, que classificou o plano como perigoso e carente de transparência.

Objetivos da Fifa Forward Enterprise

A FFE foi concebida para centralizar e potencializar as receitas comerciais da FIFA, englobando direitos de transmissão, patrocínios e licenciamentos relacionados a competições como a Copa do Mundo. Segundo a entidade, a venda de participações minoritárias permitiria captar recursos para investir no desenvolvimento do futebol global, especialmente em regiões com menos infraestrutura. A estimativa de US$ 20 bilhões reflete o valor de mercado desses ativos, que a FIFA considera subexplorados.

Reação da UEFA: crítica à falta de transparência

A UEFA manifestou-se de forma veemente contra a proposta. Em comunicado oficial, a entidade europeia afirmou que a negociação dos direitos ocorreria com "zero transparência" e que a medida "cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar". O texto ainda destaca: "A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar — especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo." A UEFA convocou todas as associações nacionais, ligas, clubes, jogadores, torcedores e governos a se oporem ao plano.

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Contexto e histórico da proposta

Em abril de 2026, durante o Congresso da FIFA em Vancouver, no Canadá, o presidente Gianni Infantino já havia sinalizado a intenção de "libertar o potencial comercial e as oportunidades que a FIFA tem". Na ocasião, Infantino declarou: "O futebol é o esporte mais popular do mundo e um motor extraordinário para o desenvolvimento humano e social. Alguns aspectos do jogo transformaram essa popularidade em um valor comercial notável – e nós celebramos esse sucesso e queremos que ele continue, porque impulsiona todo o esporte. Nossa missão é garantir que o restante do futebol cresça junto: a FIFA existe para apoiar o desenvolvimento sustentável e inclusivo em todos os cantos do mundo." A fala já indicava a direção que a entidade tomaria, agora concretizada com o anúncio da FFE.

Implicações financeiras e de governança

Os US$ 20 bilhões representam um montante significativo, equivalente ao orçamento de muitos países. A venda de participações minoritárias, no entanto, levanta questões sobre o controle e a gestão dos ativos da FIFA. Críticos apontam que a entrada de investidores privados poderia influenciar decisões estratégicas e comprometer a independência da entidade. A UEFA argumenta que a falta de transparência no processo pode ocultar conflitos de interesse e beneficiar apenas um grupo restrito de envolvidos.

Próximos passos e possíveis desdobramentos

A FIFA ainda não detalhou o cronograma da venda nem os potenciais compradores. Especula-se que fundos soberanos e grandes grupos de investimento do Oriente Médio e Ásia possam estar interessados. A oposição da UEFA, porém, pode criar obstáculos regulatórios e políticos, especialmente se outras confederações e associações nacionais se unirem à crítica. O debate promete acirrar-se nos próximos meses, com implicações para o futuro da governança do futebol mundial.

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