Rondônia tem maior déficit de policiais civis do país, aponta FBSP
Rondônia lidera déficit de policiais civis no Brasil

Rondônia enfrenta o maior déficit de policiais civis do Brasil, operando com apenas 28,1% do efetivo previsto em lei. É o que aponta o estudo Raio-X das Forças de Segurança, divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Atualmente, o estado conta com 1,5 mil agentes, enquanto o número ideal seria de 5,3 mil, resultando em uma carência superior a 70%.

Números alarmantes

Considerando a extensão territorial de Rondônia, há apenas um policial civil para cada 158 km². Essa escassez compromete diretamente a capacidade de investigação e elucidação de crimes, como alerta o relatório. A falta de efetivo pode levar à queda nos índices de resolução de delitos, sobrecarregando os profissionais que permanecem na ativa.

O déficit não se restringe à Polícia Civil, embora seja mais acentuado nessa corporação. A Polícia Penal de Rondônia opera com apenas 35,8% do efetivo previsto, enquanto a Polícia Militar apresenta ocupação de 57,4%, ainda assim com quase metade das vagas por preencher.

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Metodologia do estudo

O levantamento do FBSP utilizou dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública dos 26 estados e do Distrito Federal. Para calcular o efetivo necessário, o Fórum comparou os números informados com a legislação de cada estado que define o quantitativo de policiais. A análise revela disparidades regionais significativas, com Rondônia em situação crítica.

Os policiais civis têm a função essencial de investigar os delitos registrados oficialmente. Cabe a investigadores e delegados solucionar crimes contra a vida, coletar provas, interrogar suspeitos e elaborar os inquéritos encaminhados à Justiça. A defasagem no contingente compromete todo o processo investigativo, impactando diretamente a segurança pública.

Remuneração e perfil do efetivo

Em relação à estrutura de carreira e remuneração, dados de março de 2025 mostram os seguintes valores médios brutos na Polícia Civil de Rondônia: o salário geral é de R$ 13.987,89; delegados recebem R$ 31.303,30; escrivães, R$ 11.927,59; e investigadores, R$ 12.390,39.

Apesar do baixo contingente, a corporação se destaca pela diversidade de gênero. As mulheres representam 32,2% do efetivo, totalizando 483 profissionais, o que coloca Rondônia entre os estados com maior participação feminina na Polícia Civil. Esse percentual é superior à média nacional, indicando um avanço na inclusão.

Impactos na segurança

O estudo destaca que a defasagem de mais de 70% no efetivo policial civil pode ter consequências graves para a segurança pública. A baixa quantidade de investigadores e delegados dificulta a apuração de crimes, aumenta a impunidade e sobrecarrega o sistema judiciário. Especialistas apontam que é necessário investimento urgente em concursos públicos e melhores condições de trabalho.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública reforça que a situação de Rondônia exige atenção das autoridades estaduais e federais. A recomposição do efetivo é fundamental para garantir a eficiência das investigações e a proteção da população. Enquanto isso, os policiais civis seguem atuando em condições adversas, com sobrecarga de trabalho e recursos limitados.

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