Dez pessoas foram presas nesta quarta-feira (15) no Rio de Janeiro, São Paulo e Foz do Iguaçu sob acusação de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para as facções criminosas Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação foi conduzida pela Polícia Civil do Rio e pelo Ministério Público estadual.
Principal operadora financeira presa no Rio
Barbara Luzia Souza de Carvalho, dona de uma loja de capinhas de celular, é apontada como a principal operadora financeira do esquema. Ela foi presa em uma comunidade no Centro do Rio. Momentos antes da prisão, traficantes atacaram os policiais a tiros, mas ninguém ficou ferido. Segundo as investigações, Barbara comandava uma rede de empresas de fachada ligadas ao TCP.
Facções rivais, mesmo esquema de lavagem
As investigações revelaram que o grupo criminoso movimentava recursos do Comando Vermelho, do TCP e do PCC – facções rivais na disputa por territórios, mas que utilizavam o mesmo esquema para lavar o dinheiro. O delegado Pedro Brasil afirmou: “Uma movimentação de mais de R$ 100 milhões envolvendo diversas facções. Eles estão percebendo que existem hoje grupos especializados nesse tipo de atividade, em pegar ativos de origem ilícita e pulverizar por empresas, simular negociações para que esses ativos tenham uma aparência lícita.”
Relações internacionais e conexão com terrorismo
Entre os presos estão três irmãos libaneses que operavam empresas em São Paulo e no Paraná, e mantinham um braço internacional do esquema na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. Os investigadores afirmam que um dos acusados fez pelo menos uma transação financeira com um homem que, segundo o Departamento do Tesouro americano, tem relações com o grupo terrorista Al-Qaeda.
Denúncia e estrutura profissional de lavagem
A Terceira Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra 22 pessoas por lavagem de dinheiro – a maioria, laranjas. O promotor Bruno Rinaldi, do Gaeco, destacou: “O que era simplesmente, antigamente, em um meio mais rudimentar, uma destinação, um aproveitamento, agora não. Você tem o fluxo, uma estrutura profissional organizada que se dedica a tratar aquele dinheiro e introduzi-lo na economia formal.” O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa dos acusados.



