Prefeito admite falha após americano preso por espancar filho de 3 anos no RS
Prefeito admite falha após americano preso por espancar filho

O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), admitiu que houve falha do município no caso do missionário religioso natural dos Estados Unidos que teve a prisão preventiva decretada após confessar ter espancado o próprio filho, de 3 anos. “Eu digo desde o primeiro dia que soube desse caso: o Estado falhou”, afirmou Bortoletti, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Ele afirma que, ainda em novembro de 2025, uma unidade de saúde do município identificou hematomas na criança e relatou à rede de assistência, composta pelas secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. A família passou a ser acompanhada naquele momento, com participação do Conselho Tutelar. “Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Eu me responsabilizo como prefeito sobre isso. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede”, declarou.

Sete encontros do CREAS e registro de fratura

Desde novembro do ano passado, foram realizados sete encontros do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) com essa família. O prefeito relata que o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) preconiza o abrigamento institucional estritamente como a última etapa, ou medida excepcional de proteção. “O sistema falhou. Independente do que o SUAS preconiza, a gente não pode permitir que uma criança de 3 anos de idade, que teve três momentos que se identificou algum tipo de agressão, algum tipo de marca, algum tipo de violência”, disse.

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Segundo Bortoletti, há um registro de janeiro deste ano em que o menino teria quebrado o braço. Segundo ele, a justificativa da época teria sido que a criança se machucou em uma brincadeira no sofá da casa. O casal tem cinco filhos no total. Segundo Bortoletti, as demais crianças estão em um abrigo. O prefeito teria tido acesso a um dos relatórios emitidos pela rede de assistência que registrou, em dezembro, um ferimento facial significativo no filho mais velho, de 9 anos.

Falha na avaliação da gravidade

“É o primeiro passo que me faz entender que houve a falha do nosso sistema. Deveria de imediato ter sido avisado. Nossos psicólogos têm que criar vínculos com as famílias, mas outros órgãos têm o dever, e um deles é o nosso Conselho Tutelar, de chamar a polícia, de investigação, de acionar o Ministério Público”, aponta. De acordo com a agenda da equipe de assistência, estava marcado para esta quinta-feira (9) um encontro decisivo com a família, onde haveria a decisão para identificar se seria o caso de abrigagem. Ou seja, afastar as crianças do pai.

“Para mim, nossa maior falha foi não entender a gravidade e a velocidade que precisava uma resposta do estado. A gente colocou em risco. E isso é a minha autocrítica como prefeito, como ser humano.” Bortoletti ainda afirma que há registros de agressões em cidades onde a família morou anteriormente, antes de se mudar para Viamão. “Vamos buscar o histórico, porque eles moraram em cinco cidades desde o nascimento do primeiro filho. A meu ver, eles foram fugindo quando o cerco do serviço público apertava. Eles fugiam de qualquer forma”, supõe. O prefeito determinou a abertura de uma sindicância para apurar os fatos e identificar eventuais responsabilidades.

Missionário confessou agressão por não ouvir 'bom dia'

Um homem de 33 anos, missionário religioso natural dos Estados Unidos, teve a prisão preventiva decretada nesta segunda-feira (6) após confessar ter espancado o próprio filho, de três anos, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, o pai alegou que cometeu as agressões porque a criança não lhe deu "bom dia". O menino está internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS), na capital.

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Conforme a polícia, o caso aconteceu na manhã de domingo (5), na residência da família, localizada na área rural de Águas Claras. De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. A mãe da vítima estava em outro cômodo da casa e não presenciou o ato. Após as agressões, o homem levou o filho ferido até a mulher, e o casal encaminhou o menino ao Hospital de Viamão.

Histórico de violência

A família vive no Brasil há nove anos e reside em Viamão há cerca de seis meses. O casal tem outros filhos, todos nascidos no Brasil. Segundo a Polícia Civil, há indícios de um contexto de violência familiar continuada. A mãe relatou aos policiais militares que o marido já havia apresentado comportamento agressivo em outras ocasiões. A delegada Luana Tamiozzo Medeiros solicitou medidas de proteção com base na Lei Henry Borel para as crianças e as encaminhou para perícia, a fim de investigar se também foram vítimas de maus-tratos.

Autoridades gaúchas estão em contato com a Polícia Federal, que confirmou a situação migratória regular do homem no país. A polícia também atua em conjunto com corporações de outros estados para apurar se há registros anteriores de violência ou de atuação do Conselho Tutelar envolvendo a família em outras regiões do Brasil. A mãe acompanha o menino internado no HPS.