Provas contrariam versão de suspeito de matar idosa no Paraná
Provas contrariam versão de suspeito de matar idosa no PR

Elísio Basílio da Silva, de 60 anos, foi indiciado por latrocínio após a Polícia Civil do Paraná concluir que ele foi o responsável pela morte de Eulália Farias Pinheiro, de 70 anos. O suspeito, que está preso preventivamente desde o dia 22 de julho, teve a versão apresentada em depoimento contrariada por provas técnicas, testemunhas e pelo desaparecimento de R$ 20 mil que a vítima havia sacado dias antes do crime.

De acordo com a delegada Angélica Ferreira, os elementos colhidos no inquérito foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. "Os elementos técnicos e testemunhais colhidos nos autos são suficientes para indicar a responsabilidade de Elísio pela morte da senhora Eulália, dentro de uma dinâmica que se assemelha à de golpe patrimonial", afirmou.

Versão do suspeito

Em depoimento, Elísio disse que mantinha um relacionamento com Eulália e que, depois de buscá-la na rodoviária de Maringá, os dois foram até uma ponte sobre o Rio Tigre, em Nova Londrina. Segundo ele, os dois tiveram uma discussão "acalorada" e a idosa teria caído acidentalmente na água. O suspeito afirmou ainda que não a empurrou nem a enforcou, e que fugiu do local por medo, sem prestar socorro.

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A delegada Angélica Ferreira detalhou que Elísio declarou manter um relacionamento extraconjugal com a vítima havia cerca de um ano. "Segundo consta dos autos, Elísio declarou que mantinha relacionamento extraconjugal com a vítima há cerca de um ano e afirmou que se sentia, nas palavras dele, chantageado pela Eulália, que teria ameaçado revelar o caso à sua esposa, caso ele não continuasse se encontrando com ela", disse.

O suspeito também negou ter roubado Eulália e afirmou que, no momento do encontro, ela estava sem bolsa. No entanto, a Polícia encontrou manchas de sangue no carro de Elísio, e amostras foram coletadas para exames laboratoriais.

Provas que contrariaram a defesa

Testemunhas que viajaram no mesmo ônibus que Eulália horas antes do desaparecimento deram detalhes sobre uma bolsa que a idosa carregava junto ao corpo. Segundo a delegada, essas pessoas descreveram o objeto e afirmaram que a vítima não se separava dele em nenhum momento e demonstrava preocupação com o conteúdo.

"A versão foi contrariada por testemunhas que viajaram ao lado dela horas antes e descreveram em detalhes uma bolsa que a senhora Eulália mantinha junto ao corpo, da qual não se separava em nenhum momento e se mostrava bastante preocupada com o conteúdo dessa bolsa", explicou a delegada.

As investigações também apuraram que, dias antes de ser morta, Eulália sacou valores expressivos em espécie. Conforme a delegada, foram R$ 20 mil que, até o momento, não foram encontrados. A polícia também verificou que Elísio se aproximou da vítima de forma dissimulada, escondendo a identidade e se apresentando como pintor, o que, na avaliação da delegada, indica finalidade patrimonial na aproximação.

Como a polícia chegou ao suspeito

A família de Eulália encontrou entre os pertences da vítima um bilhete com o nome de Elísio e um telefone, além de uma oração em que ela pedia pelo relacionamento dos dois e para que o suspeito conseguisse um emprego. Essas pistas foram fundamentais para confirmar a identidade do investigado.

Com o bilhete e a oração em mãos, a polícia deu cumprimento a um mandado de busca e apreensão na residência de Elísio. "Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência do investigado, foram apreendidos celulares, bem como o veículo utilizado no dia do crime", disse a delegada Angélica Ferreira.

Relação entre vítima e suspeito

De acordo com a advogada que representa a família de Eulália, Josiane Monteiro, a vítima e o suspeito se conheceram há aproximadamente um ano em uma clínica oftalmológica. Desde então, os dois mantiveram contato por mensagens. Em outras ocasiões, Elísio levou Eulália e outras duas pessoas até Loanda, também no noroeste do Paraná, e chegou a pintar a casa dela.

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"Quando ele [Elísio] foi até a casa da Dona Eulália, ele usava chapéu, sempre o chapéu baixo. Não gostava de falar quando alguém chegava", relatou a advogada. A delegada completou que, no dia 15 de junho, quando Eulália chegou a Nova Londrina, Elísio a esperava na rodoviária, mas só se aproximou depois que os demais passageiros saíram do local, para não ser reconhecido.

Desaparecimento e morte

Eulália foi vista com vida pela última vez em 15 de junho, quando saiu de casa sem avisar a família e pegou um ônibus em direção à rodoviária de Maringá. De acordo com o relato de uma amiga, ela pretendia comprar uma propriedade em Nova Londrina. Câmeras de segurança registraram o trajeto da idosa até a rodoviária.

A filha de Eulália, Josiane da Silva Lima, contou que a mãe comprou passagem para Nova Londrina e desembarcou na cidade às 12h41. Uma mensagem enviada pela vítima foi respondida às 12h31, mas a partir das 12h46 ela parou de ficar online e não deu mais notícias. A família tentou contato, mas o celular estava desligado.

Uma semana antes de viajar, Eulália foi a dois bancos para sacar dinheiro, mas o valor exato não foi divulgado. No dia 14 de julho, um pescador encontrou um corpo em Porto Tigre, em Nova Londrina. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi encaminhado para exames, sendo reconhecido pela arcada dentária. O resultado, confirmado pela Polícia Civil, saiu seis dias depois e apontou que se tratava de Eulália.

A filha da vítima afirmou que a mãe era lúcida, independente e nunca deixou de dar notícias à família. "Nosso pai faleceu muito cedo, há mais de 30 anos, e ela sempre cuidou demais dos filhos. Sempre foi mãe e pai, então mandava mensagem para nós todos os dias. Jamais ia ficar sem falar com a gente por querer. Tanto que, desde o primeiro dia, já sentimos falta e já desesperamos", disse Josiane.