Professor espancado em metrô de SP alega homofobia e omissão
Professor espancado em metrô de SP alega homofobia

O professor Ricardo Akira Matsufuji, de 29 anos, foi vítima de uma agressão brutal na manhã do último sábado (11) dentro da Estação da Linha 5-Lilás, na Zona Sul de São Paulo. Ele relata que o ataque foi motivado por homofobia e que, durante os minutos em que foi espancado, nenhum passageiro ou funcionário do metrô prestou socorro. "Eu gritei por socorro, mas ninguém de fato ajudou", disse ao g1.

Agressão e ofensas homofóbicas

Ricardo estava a caminho do trabalho, por volta das 7h40, lendo no celular material de uma aula quando sentiu um chute na perna. "Era uma pessoa totalmente desconhecida, nunca vi na minha vida. Algumas estações antes da que eu desceria, senti um chute na perna. Não foi forte, mas foi um chute. Tinha um homem que estava perto, pareceu que foi proposital", contou. Ao chegar à estação onde desembarcaria, foi empurrado para o chão assim que as portas se abriram. O agressor, que usava máscara branca, partiu para cima dele, desferindo socos, batendo sua cabeça contra o chão e jogando-o contra a parede. "Ficou intercalando entre parede e chão. Toda vez que me socava, eu caía e tentava levantar." Durante a agressão, o homem gritava ofensas homofóbicas e acusava Ricardo de tê-lo filmado dentro do vagão.

Omissão de passageiros e funcionários

Segundo o professor, um grupo de pessoas observava a cena à distância, mas ninguém interveio. "Tinha um grupo de pessoas no metrô que estava afastado e observando [a cena]. Eu gritei por socorro, mas ninguém de fato ajudou", relatou. A ajuda só veio depois que ele conseguiu escapar e correu em direção à escada rolante, onde um grupo de testemunhas apontou para o agressor e disse: "Ele é homofóbico, você viu as coisas que ele estava falando". Os seguranças da Motiva, concessionária responsável pela linha, só apareceram após o fim das agressões.

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Lesões e consequências psicológicas

As agressões deixaram cortes e hematomas no rosto e na cabeça, uma perfuração no tímpano e uma fratura. Na UPA Vila Mariana, para onde foi levado junto com o agressor no mesmo veículo do metrô, o médico o examinou superficialmente e disse que não havia fratura, o que depois se revelou falso. "O que me incomodou na UPA foi o fato de o médico mal ter me examinado. Ele só pegou uma lanterna, olhou meu olho e pediu um raio-X. Depois disse que eu não tinha nenhuma fratura. Mais tarde descobri que isso era mentira: eu tinha uma fratura." Além das lesões físicas, Ricardo enfrenta traumas psicológicos e teme voltar a encontrar o agressor, já que usa a linha diariamente. "Eu fico pensando como vai ser pegar o metrô no próximo sábado para ir trabalhar. Estava até pensando se deveria tentar ir mais cedo, porque tenho medo de encontrar o homem de novo. Foi muito aleatório. Extremamente aleatório."

Registro policial e omissão da homofobia

No 27º Distrito Policial, Ricardo afirma que o agressor já havia sido liberado após o registro do boletim de ocorrência. A polícia se recusou a registrar o caso como homofobia e o classificou como "vítima/autor", porque a mão do agressor ficou ferida. "Com a escrevente foi complicado, porque tive que pedir umas três vezes para constar a palavra 'homofobia' no registro." Ele pretende apresentar uma representação criminal para que o caso seja investigado.

Posicionamento da Motiva e da SSP

A Motiva lamentou o episódio e repudiou "de forma veemente qualquer ato de violência, discriminação ou intolerância". A concessionária informou que registrou uma ocorrência de desentendimento entre passageiros e que, assim que o operador foi informado, solicitou a retenção do trem. As equipes prestaram primeiros socorros e encaminharam a vítima à UPA e à delegacia. A empresa orienta que passageiros usem os intercomunicadores dos trens para solicitar apoio imediato. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como lesão corporal e encaminhado à Delegacia do Metropolitano (Delpom). "A autoridade policial está à disposição da vítima para colher mais informações que possam subsidiar a investigação e auxiliar no esclarecimento dos fatos. Durante a apuração, caso sejam colhidos novos elementos, a natureza da ocorrência pode ser alterada", disse a pasta.

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