Prisão de chefe do tráfico na Gardênia Azul reacende guerra CV x milícia
Prisão de chefe do tráfico reacende guerra CV x milícia no Rio

A prisão de Philip do Nascimento Firmino, o Bacurau, apontado pela Polícia Militar como gerente-geral do tráfico na Gardênia Azul, na Zona Sudoeste do Rio, na segunda-feira, desencadeou uma série de ataques e bloqueios em Rio das Pedras, reacendendo a disputa territorial entre o Comando Vermelho (CV) e a milícia. Em reação, criminosos atravessaram pelo menos cinco ônibus em vias da região, incendiaram pneus, caçambas de lixo e outros objetos, transformando o entorno em um cenário de caos.

Operação Barricada Zero e a reação criminosa

A ação ocorreu durante mais uma etapa da Operação Barricada Zero. Segundo a PM, equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram atacadas por homens armados, mas conseguiram prender Bacurau. Após a detenção, grupos criminosos iniciaram os bloqueios, provocando longos congestionamentos, alterando itinerários de ônibus e espalhando medo entre motoristas e moradores. De acordo com a porta-voz da corporação, tenente-coronel Claudia Moraes, criminosos chegaram a atacar uma base da PM instalada na região. “A Polícia Militar vem atuando já há algumas semanas, nessa área, que vem mostrando uma certa instabilidade por conta dessa sanha expansionista do crime organizado. Eles sempre buscam colocar a população como refém”, disse a porta-voz em entrevista ao RJTV, da TV Globo.

Guerra territorial e alvo estratégico

Os confrontos registrados nesta segunda são reflexo de uma guerra que se arrasta há meses. O pano de fundo é a tentativa do Comando Vermelho de conquistar Rio das Pedras, considerado o berço da milícia no Rio e um dos últimos grandes territórios sob domínio de grupos paramilitares na região. Para investigadores, a comunidade é um ponto estratégico tanto pelo potencial econômico das atividades ilegais exploradas pela milícia, estimadas em cerca de R$ 2 milhões mensais, quanto por sua localização, entre a Barra da Tijuca e a Cidade de Deus. O controle da área permitiria ao CV consolidar um cinturão territorial em Jacarepaguá.

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Cronologia da escalada de violência

Há uma semana, no dia 19 de julho, imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que seis criminosos armados invadiram um condomínio em Rio das Pedras. Os homens renderam funcionários da portaria antes de entrar na área do empreendimento. Um dos invasores destrói a câmera ao perceber que está sendo filmado. A entrada do grupo no local teria acontecido após mais um ataque ao território da milícia, dessa vez à localidade conhecida como Sertão.

Há pouco mais de um mês, em 18 de junho, integrantes do CV intensificaram as tentativas de invasão a Rio das Pedras. O recrudescimento dos combates teve até uma debandada nas fileiras da milícia: Kauan de Oliveira Teles e oito milicianos passaram para o lado da facção. Investigações apontam que homens do CV têm usado a localidade do Caranguejo, já dentro de Rio das Pedras, como esconderijo e contariam com apoio vindo da Gardênia Azul e da Cidade de Deus, do Morro do Banco e da Muzema. A ordem para tomada das áreas dominadas pela milícia teria partido de Edgar Alves de Andrade, o Doca, e outros integrantes da cúpula da facção.

Ataque com drone e relato de moradora

Na semana seguinte, em 24 de junho, um drone foi usado para lançar um artefato explosivo sobre a comunidade. Uma casa foi atingida. Nas redes sociais, uma moradora desabafou: “Às 3h13 da madrugada jogaram uma granada sobre a minha casa, no Areal, em Rio das Pedras. Graças a Deus ninguém se feriu. Até quando moradores inocentes vão sofrer com essa violência?”, perguntou.

Operação na Gardênia Azul

Em maio, a Polícia Militar iniciou uma ocupação na região da Gardênia Azul. Segundo a corporação, a operação começou nas primeiras horas do dia e tem como objetivo conter a expansão territorial promovida por traficantes do Comando Vermelho. A PM afirma que a ocupação dos agentes vai continuar no local por tempo indeterminado. Nesta segunda-feira, criminosos usaram pelo menos cinco ônibus como barricadas para bloquear vias em resposta a uma etapa da Operação Barricada Zero. Além dos ônibus, os bandidos atearam fogo em pneus, caçambas de lixo e outros objetos para impedir a circulação pelas vias próximas. A porta-voz da PM reforçou a gravidade da situação: “Eles sempre buscam colocar a população como refém”.

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