O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) desencadeou a Operação Ouroboros para desmantelar um esquema de corrupção que envolve o Instituto Rio Metrópole, autarquia estadual, e duas empresas de segurança armada controladas por irmãos policiais. As investigações apontam que os contratos fraudulentos com essas empresas permitiram o desvio de verbas públicas e a lavagem de dinheiro.
Os irmãos policiais e as empresas de segurança
No centro do esquema estão dois irmãos que atuam nas forças de segurança do estado. Um deles, o comissário da Polícia Civil Eduardo Alencar e Silva, foi sócio da empresa RioForte, que prestava serviços de escolta não oficial para valores desviados da autarquia. O outro, um policial militar cujo nome não foi divulgado, é proprietário da Brasvip, firma de vigilância contratada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Rio de Janeiro.
De acordo com o MP-RJ, a RioForte e a Brasvip eram utilizadas como fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos. Os contratos eram superfaturados e os serviços, muitas vezes, não eram executados. A investigação revelou que os irmãos atuavam em conluio com funcionários públicos do Instituto Rio Metrópole e do DER para garantir a aprovação das licitações e o pagamento das faturas.
Fraudes e lavagem de dinheiro
A operação Ouroboros, que já resultou na prisão de diversos suspeitos, incluindo o delegado Franquis Dias Nepomuceno, apura a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo as investigações, o esquema movimentou milhões de reais ao longo de vários anos, com recursos desviados de obras e serviços públicos.
O Instituto Rio Metrópole, responsável por projetos de mobilidade urbana, e o DER, que gerencia estradas estaduais, são as principais vítimas dos desvios. Os contratos suspeitos incluem serviços de vigilância armada, escolta de valores e transporte de cargas, todos com valores muito acima dos praticados no mercado.
O papel do delegado Franquis Dias Nepomuceno
O delegado Franquis Dias Nepomuceno, preso durante a operação, é apontado como um dos articuladores do esquema. Ele teria usado sua posição na Polícia Civil para garantir a impunidade dos envolvidos e facilitar a lavagem do dinheiro desviado. A prisão ocorreu após meses de investigação, que incluíram quebras de sigilo bancário e fiscal, além de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.
A defesa dos acusados ainda não se manifestou publicamente. O MP-RJ continua as investigações para identificar outros servidores públicos e empresários que possam estar envolvidos no esquema.
Impacto e desdobramentos
A Operação Ouroboros representa um duro golpe contra a corrupção no estado do Rio de Janeiro. As empresas de segurança envolvidas tiveram suas atividades suspensas por decisão judicial, e novos contratos com o poder público foram proibidos. O Instituto Rio Metrópole e o DER estão colaborando com as investigações e revisando todos os contratos firmados com as empresas suspeitas.
O caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle interno dos órgãos públicos e levanta questionamentos sobre a atuação de policiais em empresas privadas. A sociedade aguarda o desfecho judicial, que poderá resultar em condenações e na recuperação dos recursos desviados.



