Em 2025, as plataformas de locação por curto prazo, como o Airbnb, movimentaram mais de R$ 12 bilhões no Rio de Janeiro, um aumento de 21% em relação a 2024. Este crescimento vem acompanhado de um debate acalorado sobre o impacto desses serviços no mercado de aluguéis residenciais, especialmente na Zona Sul da cidade, onde os preços dispararam.
O custo de morar no Rio: R$ 21 mil por dois quartos no Méier
No bairro do Méier, um apartamento de dois quartos pode chegar a R$ 21 mil por mês em plataformas de temporada, valor que reflete a pressão sobre o mercado imobiliário. Embora o Méier não esteja na Zona Sul, o fenômeno se espalha por toda a cidade, com destaque para regiões turísticas como Copacabana, Ipanema e Leblon. Especialistas apontam que a conversão de imóveis residenciais em unidades de temporada reduz a oferta de moradias tradicionais, elevando os preços.
Gentrificação e 'turistificação' da cidade
A chamada 'turistificação' do Rio de Janeiro é uma preocupação crescente. De acordo com urbanistas, a substituição de moradores de longo prazo por turistas estrangeiros e nacionais está transformando bairros inteiros, gerando um processo de gentrificação. “A cidade está se moldando para atender visitantes, enquanto os cariocas são empurrados para áreas mais distantes”, alerta um estudo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano do Rio de Janeiro.
Regulação em debate: projetos de lei em tramitação
Para equilibrar turismo e moradia, projetos de lei estão em discussão na Câmara Municipal. Uma proposta prevê o cadastro obrigatório de imóveis de temporada e limites de dias por ano para locação. Outra sugere taxas extras para proprietários que alugam por curto prazo em áreas de alta demanda. A prefeitura ainda não se posicionou oficialmente, mas o debate avança entre vereadores e associações de moradores.
Investimentos no centro: o caso do Edifício A Noite
No Centro do Rio, a Brookfield adquiriu 434 apartamentos no Edifício A Noite, na Praça Mauá, para convertê-los em unidades de temporada. O movimento ilustra a tendência de investidores focarem em áreas centrais, onde o retorno é maior. No entanto, críticos apontam que essa estratégia agrava a escassez de moradias acessíveis no Centro, região que vinha se revitalizando com novos moradores.
Impacto divergente entre especialistas
Nem todos concordam com a visão negativa. Economistas do setor imobiliário argumentam que as plataformas de temporada aumentam a oferta de hospedagem e atraem turistas que gastam na economia local. “O problema não é o Airbnb, mas a falta de políticas habitacionais”, diz um consultor do mercado imobiliário carioca. Dados da plataforma mostram que a maioria dos anfitriões aluga apenas um imóvel, usado como complemento de renda.
Apesar das divergências, os números são claros: o mercado de temporada no Rio cresce em ritmo acelerado, e seus efeitos sobre os aluguéis tradicionais já são sentidos. Enquanto a regulamentação não sai do papel, moradores e investidores seguem em lados opostos de uma disputa que define o futuro da cidade.



