O programa 'Conversa com Bial' desta terça-feira (28) reúne três grandes intérpretes de vilãs da teledramaturgia brasileira: Susana Vieira, Lilia Cabral e Isabel Teixeira. Durante o encontro, as atrizes refletem sobre a construção de antagonistas, a evolução da linguagem das novelas e compartilham histórias de bastidores de personagens inesquecíveis.
Vilania e subtexto
Para Isabel Teixeira, que atualmente dá vida à Pilar em 'Quem ama cuida', a chave para uma vilã convincente está na verdade interna. 'A atriz vive de subtexto. A personagem fala uma coisa e pensa outra. E pensamento aparece. Aprendi com o diretor Walter Carvalho que a câmera filma pensamento', afirma a atriz.
Lilia Cabral, conhecida por papeis como Marta em 'Páginas da Vida' (2006) e Valentina em 'O Sétimo Guardião' (2018), observa que a abordagem das vilãs mudou com o tempo. 'Antigamente era necessário deixar muito claro para o público quem era o vilão. Houve uma evolução da linguagem. Isso não significa que os vilões deixaram de existir, mas que ficou cada vez mais importante buscar uma verdade interna', analisa.
O fascínio do público e a reação nas ruas
As atrizes também comentam como essas personagens geram reações intensas. Isabel Teixeira diverte-se ao ser xingada na rua por causa de Pilar. 'O que eu estou curtindo mesmo é ser xingada. Quando alguém me encontra e reclama da Pilar, eu digo: “Pode xingar!”. É sinal de que a personagem chegou nas pessoas', conta.
Susana Vieira, que interpretou a icônica Branca Letícia em 'Por Amor' (1997), destaca o papel do texto na construção da vilania. 'A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis. Depois descobri que o Manoel Carlos colocava nela muitas das críticas que fazia à sociedade', revela.
Quem é mais vilã?
A conversa leva a uma provocação: Branca Letícia seria mais vilã do que Helena (Regina Duarte), que trocou os bebês na trama? Lilia Cabral amplia a reflexão: 'Quem é mais vilã? A pessoa que fala barbaridades ou alguém que toma uma decisão como trocar bebês, por exemplo? Às vezes, a vilania está em um gesto, numa escolha aparentemente silenciosa.'
As novelas na memória afetiva do Brasil
O episódio também aborda a tradição da teledramaturgia brasileira. 'Estamos há mais de 70 anos fazendo novelas. Eu fui criada por novelas. Quando ouvi a voz da Susana hoje, veio uma memória muito antiga. É uma voz da minha família. E não é só da minha família, é da família de milhões de brasileiros', emociona-se Isabel Teixeira.
Além do debate, o programa reserva um momento descontraído em que as atrizes revivem trejeitos, olhares e frases marcantes de personagens como Branca, Marta e Pilar, proporcionando uma viagem no tempo aos telespectadores.



