Presidente da arbitragem do Ceará é acusado de estupro por quatro árbitras
Presidente da arbitragem do Ceará acusado de estupro por árbitras

Quatro árbitras que atuam ou atuaram no futebol cearense denunciaram o presidente da comissão de arbitragem do Ceará, Paulo Sílvio Santos, por assédio sexual e estupro. As vítimas prestaram depoimento na Delegacia da Mulher na última terça-feira (14 de julho de 2026). A Polícia Civil investiga o caso.

Relatos de assédio sistemático desde 2018

Segundo as denúncias, Paulo Sílvio, de 55 anos, praticava assédio de forma sistemática desde 2018. Ele assumiu interinamente a presidência da comissão em 2016 e tornou-se presidente efetivo em 2017. As vítimas relatam convites inoportunos para sair, mensagens incompatíveis com o ambiente de trabalho, sugestões de favorecimento na escala de jogos, toques físicos embaraçosos e estupro.

Uma das árbitras afirmou ter sido estuprada pelo presidente em janeiro de 2023. Em depoimento à Federação Cearense de Futebol (FCF), ela contou que Paulo a agarrou sem consentimento e tocou em suas partes íntimas enquanto ela tentava se desvencilhar. "Ele me jogou, não com força, né, mas me colocou na cama, ficou tentando me beijar, me agarrar, fazer acontecer outra coisa. E eu dizendo que não, tentando sair de todo jeito. 'Não, me solta, me solta!'", diz trecho do relato ao qual o ge teve acesso.

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Favorecimento e retaliação

Todas as denunciantes afirmam que Paulo Sílvio sugeriu favorecimento na escala dos jogos caso cedessem às investidas. Como não cederam, passaram a trabalhar em menos partidas. Uma das vítimas declarou: "Às vezes você tem medo, ou (fica) sem jeito de sair. Porque é fácil dizer assim 'Ah é só sair, é só dizer não', mas nem todo mundo lida bem com o não. E ele, por ter um cargo alto, achava que todo mundo tinha que fazer as coisas que ele quer".

Afastamento e investigação

Paulo Sílvio foi afastado do cargo na terça-feira, mesmo dia do registro do boletim de ocorrência. A FCF informou que o pedido de afastamento ocorreu em período anterior às denúncias e é válido por 30 dias. A entidade instaurou um Procedimento Interno de Apuração (sindicância nº 01/2026), conduzido por uma mulher, e disponibilizou o e-mail sindicancia@futebolcearense.com.br para recebimento de outras denúncias.

A defesa das árbitras acusa a federação de negligência. Em nota, os advogados afirmam: "Apesar da seriedade das acusações e da robustez do material apresentado, a Federação Cearense de Futebol não adotou qualquer medida efetiva de proteção às árbitras, tampouco instaurou procedimento transparente de apuração, permanecendo inerte diante de fatos extremamente graves que envolvem uma de suas principais autoridades no âmbito da arbitragem estadual".

Defesa de Paulo Sílvio nega acusações

O advogado de Paulo Sílvio Santos negou veementemente as acusações. Em nota, afirma que o cliente "jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito" e que as declarações são "versões unilaterais". A defesa manifestou preocupação com a divulgação pública das alegações antes da oitiva do investigado e confia na imparcialidade da investigação.

Posicionamento da FCF

A Federação Cearense de Futebol informou que recebeu as denúncias na sexta-feira (10 de julho) e instaurou procedimento interno. A entidade afirma que não tolera assédio, violência, discriminação ou abuso de poder e que colaborará com as autoridades. O presidente em exercício, Mauro Carmélio Santos Costa Neto, recomendou que as partes procurassem a polícia para registro das ocorrências.

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