A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito sobre o suposto uso de recursos públicos em um esquema de exploração sexual de adolescentes na cidade de Pio IX, no Piauí. O prefeito da cidade, Silas Noronha, foi indiciado pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes e peculato. A investigação começou após um ex-integrante da campanha denunciar que, a pedido do prefeito, participou do aliciamento de adolescentes de 13 e 14 anos.
Detalhes do esquema
De acordo com o inquérito, o gestor teria utilizado verba pública, obtida por meio de empresas de fachada, "laranjas" e contratos simulados, para pagar as adolescentes. A investigação apontou a existência de contratos considerados fraudulentos entre a Prefeitura de Pio IX e empresas, com movimentações suspeitas que somaram mais de R$ 5,3 milhões em 2025. O documento não detalhou, contudo, se todo o dinheiro foi destinado ao esquema.
Um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) citado na investigação aponta que a empresa em questão emitiu notas fiscais sobre o fornecimento de combustíveis para os quais não havia registro de capacidade de armazenamento junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). O inquérito indicou que a incompatibilidade técnica serve como prova de que os produtos não foram entregues.
Envolvidos e alegações
Além do prefeito, o ex-integrante da campanha e um sobrinho de Silas, Samuel Noronha, também foram indiciados pelos dois crimes e por ameaça. Todos respondem em liberdade. Segundo a investigação, Samuel Noronha e Francisco Liedson atuavam como agenciadores, aliciando e intermediando o contato com as vítimas.
O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, disse em entrevista à TV Clube que o inquérito ouviu quatro adolescentes. "O inquérito demorou alguns meses, com muitas diligências. Foram quatro vítimas identificadas, quatro garotas que foram aliciadas. Todas foram ouvidas", afirmou. As provas incluem depoimentos de vítimas, testemunhas e familiares, escutas especializadas, conversas por aplicativos de mensagens e registros de movimentações bancárias.
Posição da defesa
Silas Noronha foi preso no dia 10 de abril de 2026 após se apresentar espontaneamente na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Teresina, e foi solto no dia 5 de maio. Em nota, a defesa do prefeito afirmou que "recebeu a conclusão da investigação com naturalidade" e que "a inocência do gestor será comprovada durante o processo". A defesa ainda destacou que "o indiciamento é ato próprio da fase investigativa e traduz, tão somente, o entendimento da autoridade policial, sem representar qualquer juízo de culpa".
Após a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), que analisará as conclusões e decidirá sobre os próximos passos.



