Piloto de Araraquara desaparece há 3 meses; mãe faz exame de DNA para identificar corpo
Piloto de Araraquara desaparece há 3 meses; mãe faz exame de DNA

O piloto agrícola João Vitor de Lima Franco, de 25 anos, natural de Araraquara (SP), está desaparecido há quase três meses. A mãe dele, Alessandra Cristina de Lima, coletou material genético no Instituto Médico Legal (IML) de Araraquara na terça-feira (9) para verificar se um corpo decapitado encontrado no Pará é do filho. O último contato com a família ocorreu em 14 de março.

Morte do empresário colombiano

Em 16 de maio, o empresário colombiano Ivan Adel Gois de Los Rios, dono da aeronave pilotada por João Vitor, foi assassinado a tiros em Belém. Ele estava em um carro quando homens armados o abordaram e atiraram, fugindo em seguida. Ivan havia prestado depoimento à Polícia Civil do Pará em abril sobre o desaparecimento do avião e do piloto, que teria viajado com um amazonense também sumido para uma fazenda em Itaituba.

Coleta de DNA

O advogado Rômulo Dias, que representa a família, informou que o material genético será enviado a São Paulo, Belém e, por fim, ao IML de Castanhal, onde o corpo está armazenado. O cadáver foi encontrado em abril pelo Corpo de Bombeiros do Pará, em avançado estado de decomposição, sem braços e decapitado, em uma área de mata próxima à Vila Pirateua, às margens da BR-308, em Viseu (PA).

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“Foi uma morte cruel, que dificultou o reconhecimento. A situação toda está ligada à aeronave, e todos que tiveram contato com ela estão sendo eliminados. João Vitor é mais uma vítima”, afirmou o advogado.

Investigação policial

A Polícia Civil do Pará informou que o caso segue sob investigação pela Divisão de Homicídios (DH) e aguarda o resultado do exame pericial para confirmar a identidade da vítima. “O inquérito segue em andamento para apurar as circunstâncias do desaparecimento do piloto”, disse a corporação. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou o caso como desaparecimento na Delegacia de Plantão de Araraquara, encaminhado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), mas as investigações estão sob segredo de Justiça.

Apelo da mãe

Em entrevista ao g1 em maio, Alessandra pediu mais agilidade nas buscas. “Já faz dois meses que meu filho está desaparecido. Impossível um avião sumir e ninguém ver. Um avião não é um brinco”, disse. Ela relatou que a polícia apenas afirma investigar, sem detalhes. A família contratou investigação particular que apontou a última localização do piloto em Iranduba (AM). “Preciso de apoio efetivo da polícia para encontrar meu filho”, completou.

A mãe questionou se as pistas de pouso em Iranduba foram investigadas. “Ele ficou uma hora lá, impossível ninguém ter visto o avião pousar e levantar voo. Essa é nossa indignação”. Ela afirmou sentir que o filho está vivo e repassou as informações obtidas à polícia.

Contratação pelo empresário

Segundo o advogado, João Vitor foi contratado por Ivan para serviços aéreos. Outro homem que estava no avião também desapareceu. A última localização do iPhone do piloto foi em Iranduba, no Amazonas. Dias tenta a quebra de sigilo telefônico para obter mais dados. “A única pessoa que poderia dar informações foi morta”, lamentou.

Possibilidades

O advogado não descarta queda da aeronave, pane, sequestro ou cárcere privado. “Ele pode estar sendo obrigado a trabalhar, sem comunicação. Mas também pode estar morto”. A quantidade de serviços da empresa de Ivan, que tinha apenas um funcionário, gerou suspeitas. Dias acredita que a morte do empresário foi queima de arquivo. “João Vitor foi induzido a erro, caiu em uma armadilha. Ele não sabia de possível envolvimento ilícito do avião”.

Viagem

João Vitor embarcou no Aeroporto de Ribeirão Preto em 10 de março com destino a Belém, percorrendo 2.562 km. Ficou hospedado entre 11 e 12 de março e manteve contato com a família até o dia 14.

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