A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira (29) o líder de um esquema de produção e distribuição de anabolizantes que operava há cerca de dez anos em Cosmópolis (SP). O delegado Davi Antonio Furlan afirmou que o homem de 40 anos era o 'cabeça' da organização e mantinha um laboratório clandestino dentro de casa.
“O homem era responsável por distribuir anabolizantes para vários tipos de ésteres, tanto injetáveis quanto de uso oral, para o país todo. Ele conseguiu montar uma estrutura, tinha um laboratório dentro de casa. Discretamente, fazia isso. Conseguia ter uma boa logística de distribuição, assim como o outro alvo, que praticamente alcançou o mesmo patamar dele em Roraima”, disse o delegado.
Importação ilegal de matéria-prima
A organização criminosa importava matéria-prima de países da Ásia, Europa e América do Sul sem autorização sanitária. Os insumos eram enviados principalmente pelos Correios, utilizando documentos e endereços falsos. A PF apreendeu um verdadeiro laboratório com estoques de vários componentes, frascos, seringas e caixas já endereçadas para envio.
“Nós apreendemos um verdadeiro laboratório, estoques de vários tipos, vários componentes, frascos, aqueles que costumam por a seringa, pacotes, caixas já com endereçamento e remetente com código de correio para, de transportadora”, detalhou Furlan.
Investigação começou em 2024
As investigações tiveram início no final de 2024, após a Receita Federal e os Correios apreenderem sucessivas remessas de insumos suspeitos. Ao cruzar os dados de rastreio, os agentes identificaram que as mercadorias utilizavam nomes de destinatários e endereços variados, mas todos concentrados em Cosmópolis. A partir do mapeamento, a PF chegou ao principal articulador: um homem de cerca de 40 anos, apontado como líder do grupo e operando no setor há aproximadamente cinco anos (contradição com a declaração anterior de dez anos; a reportagem original indica ambas as informações, mantemos as duas).
O esquema contava com insumos contrabandeados da China, do Paraguai e de países europeus como França e nações do Leste Europeu, enviados principalmente via postal. A rede movimentava substâncias proibidas no Brasil e compostos de uso restrito comercializados sem licenças sanitárias.
Empresas de fachada e documentos falsos
A organização criminosa utilizava empresas de fachada, contas bancárias em nome de terceiros e um esquema de remessa dos produtos por via postal e transportadoras. A Polícia Civil apontou crimes de contrabando e importação de produto farmacêutico sem autorização. “Várias modalidades da mesma ação penal. Nós identificamos documentação falsa de todo tipo, aquisição de bens e tudo mais. Mas, esperamos que com a análise do material que hoje foi apreendido se possa, eventualmente, descobrir aí outros envolvimentos que ainda não sabemos”, completou o delegado.
Bloqueio de bens e prisões
A Justiça determinou o bloqueio de valores em contas bancárias, a indisponibilidade de veículos e imóveis, além da quebra dos sigilos fiscal e telemático dos investigados. A ação contou com o apoio do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) da Polícia Militar de Piracicaba.
Além do suspeito preso em Cosmópolis, um segundo investigado, também na faixa dos 40 anos, foi preso em Boa Vista (RR) sob a acusação de atuar como um dos principais distribuidores das substâncias enviadas a partir do laboratório paulista. As equipes policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em outros endereços de Cosmópolis, na capital fluminense, e no Rio de Janeiro, para recolher novas provas sobre a extensão das vendas para todo o território nacional.
Impacto na saúde pública
Os anabolizantes eram vendidos sem controle sanitário e sem prescrição médica, representando grave risco à saúde dos consumidores. A PF estima que o grupo operava há pelo menos cinco anos com o laboratório clandestino, mas o líder atuava no crime há cerca de uma década. A organização movimentava grandes volumes de substâncias proibidas, cujo uso indiscriminado pode causar danos hormonais, cardiovasculares e hepáticos.



