Pai nega que filho apontou arma para Guardas Municipais em Londrina
Pai nega que filho apontou arma para GM em Londrina

O pai do adolescente Murilo Dias, de 15 anos, morto por guardas municipais de Londrina, no Norte do Paraná, durante uma abordagem na última sexta-feira (31), negou que o filho tenha apontado uma arma para os agentes. A versão da Guarda Municipal (GM) é de que o jovem tentou sacar um revólver enquanto o pai se entregava, mas o pai, Volmir Dias, afirma que o filho teve uma crise de epilepsia e não pegou arma alguma. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) investiga o caso, que apresenta versões conflitantes.

Entenda a ocorrência

De acordo com a GM, a ocorrência começou quando Volmir foi a uma pizzaria onde a mãe de Murilo trabalha. No local, ele teria dado um tiro para cima após se envolver em uma confusão. Em seguida, saiu dirigindo uma picape, com o filho no banco do passageiro. Pouco depois, uma equipe da GM foi abordada por uma testemunha que denunciou Volmir, iniciando uma perseguição.

Perto do Ginásio de Esportes Moringão, Volmir atropelou um motociclista e bateu contra um poste. A GM alcançou o veículo e o pai se entregou. Enquanto ele era detido, o filho, que continuava no carro, foi morto. O relatório da GM afirma: "Na abordagem final, o condutor [Volmir] foi detido. O passageiro [Murilo] resistiu às ordens de desembarque e, segundo relato da equipe, tentou sacar uma arma de fogo da cintura. Diante da ameaça iminente, um guarda municipal efetuou disparo de arma de fogo".

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Versão do pai

Em depoimento na delegacia, Volmir confirmou ter usado o revólver para dar um tiro para cima na pizzaria, mas disse que, depois que entrou na picape, derrubou a arma no chão do veículo e o filho não a pegou. Ele relatou: "Deu crise nele, na hora. Ele tem epilepsia". A defesa de Volmir também informou ao g1 que solicitou as câmeras corporais dos agentes, e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) concordou com o pedido.

Socorro e prisão

Murilo foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O corpo foi encaminhado à Polícia Científica. Volmir foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo, conduzir veículo automotor sob influência de álcool e desobediência. Foi apreendido um revólver com seis munições intactas e uma deflagrada.

Liberdade provisória e investigação

Volmir passou por audiência de custódia no sábado (1º) e recebeu liberdade provisória, sob a condição de usar tornozeleira eletrônica. O MP-PR manifestou-se favorável à medida, pois o homem "é primário, de bons antecedentes". As circunstâncias sobre o tiro disparado por Volmir também devem ser investigadas.

Defesa e afastamento dos agentes

A defesa de Volmir, a CAPOCCI Sociedade de Advogados, manifestou solidariedade à família do adolescente e reafirmou o compromisso com a completa apuração dos fatos. Em nota, informou que a Justiça já determinou sua liberdade e que o MP concordou com a requisição das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos. O comandante da GM, tenente-coronel Ricardo Eguedis, informou que os guardas municipais envolvidos estão afastados das funções e que a Corregedoria-Geral do Município apura o caso.

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