A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta terça-feira (21) a Operação Metástase, que investiga uma quadrilha especializada no roubo de cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores. O grupo, que contava com apoio do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano e utilizava uma rede de ao menos 25 empresas de fachada para recolocar o material roubado no mercado formal.
Estratégia de fraudes em licitações
Segundo o delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), a quadrilha comprava empresas antigas e já sem atividade para aumentar as chances de vencer licitações públicas. A estratégia era adquirir companhias abertas havia muitos anos, colocar “laranjas” como responsáveis e usar o histórico dessas empresas para forjar credibilidade perante o poder público. “As investigações apontam uma licitação que uma dessas empresas participou e saiu vencedora”, afirmou Moura. As licitações eram na modalidade tomada de preços, em que valores são comparados e o menor é escolhido.
O delegado explicou que alguns CNPJs foram criados recentemente, “o que facilitaria para o sistema público identificar que não teriam tempo mínimo para atuar no setor público”. “Porém, eles também atuavam comprando empresa com muito tempo de existência, que estavam falidas, colocavam laranjas e aí passavam credibilidade para o setor público”, completou.
Rotas monitoradas e apoio de facção
A investigação apontou que o grupo contava com informações privilegiadas sobre o transporte das cargas. Integrantes da organização tinham acesso antecipado às rotas dos caminhões e escolhiam pontos próximos a comunidades dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) para realizar os ataques. “Esses criminosos tinham informações privilegiadas sobre as rotas dos caminhões, e eles os abordavam justamente muito próximo das comunidades, o que facilitava a condução do motorista”, disse o delegado.
Após os roubos, os medicamentos eram levados para o Complexo da Maré, onde as cargas eram transferidas, armazenadas e distribuídas para outros estados por meio de empresas investigadas por integrar o esquema. As investigações apontam que a organização criminosa participou de pelo menos 50 roubos de cargas de medicamentos desde 2023.
Presos na operação
A Operação Metástase foi deflagrada no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas: Carlos Roberto Fernandes, alvo de buscas em São Paulo, preso após agentes encontrarem armas sem registro em sua casa; Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do núcleo de receptadores; Guilherme Silva Lopes de Sena, companheiro de Fernanda, preso em flagrante por armazenamento de medicamentos de uso controlado sem autorização legal; Stefano Montovani Fernandes, apontado como chefe do esquema, que chegava a encomendar roubos de cargas; e Umberto Xavier de Lima, apontado como receptador. Todos os presos negam as acusações.



