Uma influenciadora digital foi alvo da Operação Crazy Tiger, deflagrada nesta terça-feira (28) pela Polícia Civil de Sorocaba (SP), sob suspeita de atuar como agenciadora de outros influenciadores na divulgação de jogos online ilegais e de envolvimento em lavagem de dinheiro. A operação foi conduzida pelo Setor Especializado no Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (Seccold), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba.
Suspeita de esquema de recrutamento
De acordo com o delegado Rafael Godoi de Vasconcelos, a investigada não agia sozinha. “É bem provável que ela não divulgue sozinha, não agencie essas pessoas sozinha. Então, é bem provável que tenha alguma outra pessoa ou outras pessoas que com ela, que trocam mensagens, conversas, informações. Isso a gente vai tentar identificar agora”, afirmou. No entanto, ainda não é possível traçar o organograma do grupo. “Ainda não conseguimos identificar quem são essas outras pessoas que estão abaixo ou acima dela”, completou.
O delegado Rodrigo Ayres, titular da Deic, detalhou que a suspeita é de que a influenciadora recrutava outros influenciadores para promover sites de jogos de azar, especialmente cassinos online, que são ilegais no Brasil e operam de forma distinta das bets. “Ela tinha outros influencers, ela contava com outras pessoas e era praticamente uma agenciadora. Ela aliciava esses influencers para que eles divulgassem esses sites ilegais. E assim ela ganhava determinadas vantagens financeiras”, explicou.
Apreensões e bens de luxo
Durante o cumprimento de mandados em três endereços em Sorocaba e Araçoiaba da Serra (SP), os agentes apreenderam:
- Bolsas e calçados de grifes de luxo;
- Um veículo avaliado em cerca de R$ 500 mil;
- Seis aparelhos celulares.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de um imóvel de médio padrão no Jardim Piratininga. A investigada também adquiriu outros dois apartamentos em Sorocaba e realizou diversas viagens internacionais recentemente, segundo a polícia.
Movimentação financeira de R$ 28 milhões
A investigação começou em dezembro do ano passado, a partir de uma denúncia anônima recebida pela Polícia Federal, que a encaminhou à Polícia Civil. O relato indicava que a influenciadora mantinha um padrão de vida incompatível com a renda declarada. A quebra do sigilo bancário revelou uma movimentação de aproximadamente R$ 28 milhões em pouco mais de um ano, reforçando a suspeita de dissimulação e ocultação de patrimônio.
Os seis celulares apreendidos passarão por perícia. “A gente vai submeter à perícia e ver se consegue obter alguma informação de como funciona todo o esquema do qual ela faz parte, se existe de fato um esquema”, disse o delegado Vasconcelos. Três aparelhos foram apreendidos em Sorocaba e os demais em Araçoiaba da Serra.
Próximos passos
As apurações continuam para rastrear outros bens adquiridos com recursos ilícitos. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação e a identificação de outros envolvidos no esquema.



