Multas por não transferir veículo lideram infrações em SP em 2026
Multas por não transferir veículo lideram em SP em 2026

As multas por não transferência de propriedade de veículos lideram o ranking de infrações do primeiro semestre de 2026 em São Paulo, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP). De janeiro a junho, foram aplicadas 478.835 multas desse tipo em todo o estado. A infração é considerada grave, gerando custo de R$ 195 para os motoristas ou proprietários e acumulando 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No ano passado, o Detran-SP já havia aplicado mais de 1,18 milhão de multas por essa mesma irregularidade no estado.

Segunda infração mais comum: falta de licenciamento anual

A segunda infração mais comum no período foi conduzir veículo sem o licenciamento anual regularizado, com 184.407 autuações. Na sequência, aparecem dirigir sem cinto de segurança (85.153 multas), usar o celular ao volante (81.106) e avançar o sinal vermelho (43.872).

Total de multas no primeiro semestre de 2026

Ao todo, o Detran-SP aplicou mais de 1,5 milhão de multas no estado entre janeiro e junho de 2026. Esse valor corresponde a 44% das autuações registradas ao longo de todo o ano de 2025, que somaram 3,4 milhões. As cinco infrações mais registradas no primeiro semestre foram: deixar de efetuar registro do veículo em 30 dias quando transferida a propriedade (478.835); conduzir veículo sem licenciamento (184.407); deixar de usar cinto de segurança (85.153); dirigir manuseando celular (81.106); e avançar sinal vermelho (43.872).

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Especialista critica foco em multas administrativas

Para o engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira, os números recentes de multas administrativas alimentam o discurso de que existe uma "indústria da multa" em São Paulo, o que, segundo ele, não é verdade. "O motorista tem que estar com sua documentação em dia. Isso é fato. Mas o foco das fiscalizações não pode ser multa administrativa. Nós vivemos uma barbárie no trânsito na cidade de São Paulo e no estado. Todo fim de semana é uma tragédia que choca a sociedade. Então, o foco tem que ser na segurança. Quem fala que existe uma indústria da multa em São Paulo nunca ficou parado 10 minutos num cruzamento para ver a quantidade de infrações subnotificadas, por falta de fiscalização", declarou.

Subnotificação de infrações de trânsito

Segundo Figueira, o número de autuações por avanço de sinal vermelho é muito inferior ao total de infrações que realmente ocorrem. "Das 43 mil aplicadas por avançar o farol vermelho em São Paulo, esse número deve ser muito maior. Na proporção de 10 mil não aplicadas para 1 aplicada. As motos andam na calçada, furam a faixa de pedestre. A falta de estrutura fiscalizatória vitima, principalmente, os pedestres. E a salvação de vidas é que tem que ser o foco de qualquer autoridade de trânsito", disse o especialista. "A gente vê pouquíssimas fiscalizações aos finais de semana e nas noites, onde acontecem os piores acidentes. Isso explica muito o motivo desses números e a carnificina que vivemos hoje nas ruas e estradas do país", argumentou.

O que diz a lei sobre transferência de veículos?

Pelas regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a transferência de propriedade de um veículo é obrigatória e deve ser feita em até 30 dias após a venda ou doação. O processo exige o preenchimento da Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV-e) e pagamento de taxas e vistoria. Em São Paulo, essa transferência pode ser realizada presencialmente nos postos do Detran-SP, nos Poupatempos do estado, ou de forma digital. Se o veículo já estiver licenciado no ano, a taxa de transferência é de R$ 295,83 — paga via Pix ou rede bancária. No caso de veículos não licenciados, a taxa é de R$ 469,91. O Projeto de Lei nº 3965/21, que a Câmara dos Deputados aprovou no início de junho de 2025, autoriza a transferência de veículos por meio de aplicativos móveis e elimina a obrigatoriedade do reconhecimento de firma em cartório.

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